Um vídeo recente exibe um drone carregado com explosivos que atinge uma bateria do sistema de defesa aérea Domo de Ferro de Israel. Este sistema, que custou bilhões, foi atacado por um equipamento que vale apenas algumas centenas de euros. Embora as imagens ainda não tenham sido verificadas de forma conclusiva, especialistas as consideram autênticas. O Hezbollah, grupo aliado do Irã e classificado como organização terrorista por diversos países, divulgou o material nas redes sociais há cerca de uma semana, apresentando o episódio como um grande sucesso de propaganda e evidenciando a vulnerabilidade das forças militares israelenses.
Desde março, o Hezbollah tem intensificado o uso de drones FPV (First Person View), que permitem ao piloto visualizar o alvo em tempo real. Esses ataques resultaram na morte de vários soldados israelenses e em ferimentos a muitos outros. O que preocupa os especialistas militares israelenses é que muitos desses drones são controlados por cabos de fibra ótica, o que dificulta a localização e a interferência em suas comunicações.
Na guerra da Ucrânia, esses drones têm sido amplamente utilizados desde 2024, tanto pelas forças ucranianas quanto pelas russas. As contramedidas adotadas até agora parecem improvisadas, incluindo redes de proteção e métodos mecânicos simples, como cortar os cabos ou abatê-los com armas de fogo. Contudo, a dificuldade em localizar esses drones continua sendo um desafio para ambos os lados.
Diante dessa evolução, muitos observadores expressam surpresa pela aparente falta de preparação dos militares israelenses. Neri Zin, especialista em drones e CEO da startup de defesa Axon Vision, observa que exércitos que se prepararam para grandes guerras enfrentam agora desafios novos e inesperados. Ele destaca que um tanque que custa milhões pode ser atacado por um drone FPV que pode ser adquirido por apenas 400 dólares.
O embaixador da Ucrânia em Israel, Yevhen Korniichuk, manifestou descontentamento com a falta de interesse de Israel em aprender com a experiência ucraniana. Um porta-voz das Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmou que estão monitorando de perto os desafios em outros campos de batalha e que as forças israelenses estão na vanguarda do desenvolvimento de medidas contra essa nova ameaça.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enfrenta pressão crescente e declarou ter ordenado a criação de um projeto especial para lidar com a ameaça dos drones, pedindo paciência, pois as soluções levarão tempo. As propostas em discussão incluem desde detecção precoce até a destruição de sistemas eletrônicos por micro-ondas e tecnologia laser, utilizando inteligência artificial.
Neri Zin enfatiza a necessidade de soluções simples e imediatas, afirmando que sua startup já está desenvolvendo sistemas para neutralizar ataques de drones de fibra ótica. As soluções visam proteger unidades menores e podem ser instaladas em veículos, utilizando câmeras visuais e térmicas para monitorar o ambiente e analisando dados em tempo real com sistemas de IA.
Zin também destaca que, apesar do uso de tecnologia avançada, sempre haverá um ser humano no processo de decisão. Em ambientes hostis, ações autônomas podem ser autorizadas por um tempo limitado. Sua empresa já possui clientes em vários países, incluindo na Europa. Por fim, ele ressalta que a guerra de drones é também um conflito econômico, onde soluções acessíveis são essenciais para evitar situações absurdas, como o uso de mísseis interceptores de alto custo contra drones mais baratos.