O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, desembarcou em Caracas para uma reunião bilateral com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Este encontro representa a primeira agenda oficial de um líder estrangeiro no país desde a queda de Nicolás Maduro em janeiro.
Petro foi recebido no Aeroporto Internacional Simón Bolívar por Yván Gil, chanceler venezuelano, e outras autoridades diplomáticas. A visita faz parte da Cúpula Presidencial Colômbia-Venezuela, que visa fortalecer a reaproximação entre os dois países.
A programação inclui uma reunião privada entre Petro e Rodríguez, seguida de encontros com delegações técnicas e ministeriais. Os principais tópicos em discussão são segurança na fronteira, cooperação institucional e compartilhamento de informações estratégicas.
Foco nas questões energéticas e de segurança
Um dos principais focos das negociações é o setor energético, com discussões sobre acordos para a exportação de gás venezuelano à Colômbia e a retomada de projetos de interconexão elétrica. Este tema é especialmente relevante em meio a tensões geopolíticas que afetam o mercado de energia.
Além disso, as conversas abordarão a segurança na extensa fronteira de mais de 2 mil quilômetros, incluindo controle territorial, combate a atividades ilícitas e coordenação entre as forças estatais. Outros assuntos na pauta incluem questões consulares, comércio bilateral e defesa, com foco nas populações da região fronteiriça, frequentemente afetadas por crises políticas e econômicas.
Avanços na cooperação bilateral
Na véspera da visita, o chanceler venezuelano se reuniu com a ministra das Relações Exteriores da Colômbia, Rosa Villavicencio, para alinhar os temas da cúpula e avançar na cooperação entre os países. Desde que assumiu a presidência em 2022, Petro tem promovido uma reaproximação com a Venezuela, revertendo o rompimento diplomático que ocorreu durante o governo de Iván Duque.
Entre as ações tomadas estão a reabertura da fronteira, a retomada das relações comerciais e o restabelecimento de voos entre as nações. A visita de Petro ocorre em um contexto delicado, após a captura de Maduro por forças norte-americanas no início de janeiro, um ato que o presidente colombiano classificou como um 'sequestro'.
Apesar de sua proximidade política com o governo anterior da Venezuela, Petro busca equilibrar a relação, defendendo a cooperação econômica e diplomática, mas estabelecendo limites em áreas como a colaboração militar.