O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) foi entrevistado nesta sexta-feira (16) no Jornal Nacional, da TV Globo, em meio à disputa do segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição. Durante a entrevista, o senador foi questionado sobre o financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, a proposta de mudança na escala de trabalho 6×1 e a possibilidade de nomear familiares para cargos em um eventual governo.
Um dos momentos de maior tensão ocorreu quando a jornalista Renata Lo Prete rebateu declarações de Flávio sobre um suposto financiamento de R$ 30 milhões para um documentário sobre Lula, que o candidato atribuiu ao empresário Daniel Vorcaro. A apresentadora afirmou que não trataria informações sem confirmação como fatos e insistiu em perguntas sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro.
Eu vou insistir com o senhor em dois pontos. Eu não vou me referir aqui a informações que não estão confirmadas — declarou a jornalista.
Jornalista cobra explicações sobre financiamento de filme de Jair Bolsonaro
Durante a entrevista, Flávio foi questionado sobre os recursos destinados à produção de Dark Horse e sobre a participação de Vorcaro no financiamento. Lo Prete afirmou que o fundo envolvido nos repasses estava inativo havia quatro anos e perguntou por que o senador não trabalhava para esclarecer ao eleitor o destino do dinheiro.
Flávio respondeu que a produtora havia prestado contas e defendeu a operação como um negócio privado, sem contrapartidas relacionadas ao seu mandato parlamentar.
Ao justificar os questionamentos, a jornalista destacou que Jair Bolsonaro é um ex-presidente da República e que seu filho disputa o comando do país.
“O seu pai não é qualquer pai”, afirmou Lo Prete.
A apresentadora também questionou a diferença entre os valores da produção. Segundo as informações apresentadas por ela durante a entrevista, uma perícia da produtora apontou custo de R$ 75 milhões, enquanto o pedido de financiamento a Vorcaro teria sido de R$ 134 milhões.
“Por que essa diferença? Quase o dobro”, perguntou.
Flávio alegou que houve um contrato que não foi cumprido e que o filme foi concluído com os recursos aportados pelo banqueiro e por outros investidores. O senador classificou a operação como uma relação privada.
Flávio compara financiamento do filme com
Ao responder aos questionamentos, o candidato passou a comparar o financiamento de Dark Horse com contratos de
Lo Prete contestou a comparação e diferenciou a compra de espaços publicitários do financiamento de uma produção cinematográfica.
Compra de espaço comercial de patrocínios não é igual a financiamento de filme — afirmou.
A jornalista acrescentou que os anúncios comerciais seguem regras de transparência e não determinam a linha editorial da emissora nem a independência de seu jornalismo. Sobre o executivo desligado, explicou que a saída ocorreu após a divulgação de conversas com Vorcaro.
A discussão voltou às acusações sobre um suposto financiamento de um documentário sobre Lula. A Polícia Federal havia negado, em 9 de outubro, ter recebido depoimento, anexos ou documentos de Vorcaro com o conteúdo atribuído a ele em uma reportagem da revista Veja. A Procuradoria-Geral da República também informou que não houve depoimento oral do banqueiro no âmbito das tratativas de colaboração premiada, cuja proposta foi rejeitada.
Ao insistir no tema, Flávio voltou a fazer acusações contra pessoas ligadas ao PT, citando João Vaccari Neto e alegando a existência de um esquema envolvendo fundos de pensão. Essas afirmações não foram comprovadas durante o trecho da entrevista descrito.
Candidato fala sobre escala 6×1 e cita assaltos no transporte público
Outro tema abordado foi o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador exerce suas atividades por seis dias e tem um dia de descanso.
Flávio afirmou que decidiu apoiar a mudança após observar que a maioria dos trabalhadores seria favorável à proposta.
Como eu vi da grande maioria dos trabalhadores que eles estavam favoráveis ao fim da escala 6 por 1, eu resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros — declarou.
Na sequência, o candidato argumentou que a ampliação do período de descanso não resolveria problemas como violência, endividamento e insuficiência salarial.
Todo mundo quer trabalhar menos e ganhar mais. O problema é durante essa sua folga, com mais um dia de folga, você vai continuar andando de ônibus e sendo assaltado — afirmou.
O senador também mencionou as dificuldades financeiras enfrentadas pelos trabalhadores, dizendo que muitos continuariam preocupados com as dívidas e com a duração do salário ao longo do mês.
Com um dia a mais de folga, você vai continuar dormindo preocupado, porque você tá devendo e o seu salário não tá durando até o dia 30, tá durando só até o dia 20 — declarou.
Flávio reconheceu que os trabalhadores têm direito a mais descanso, mas argumentou que a discussão não deveria se limitar à folga adicional.
Flávio fala sobre possível participação de Jair Bolsonaro em governo
A entrevista também abordou a possibilidade de o ex-presidente Jair Bolsonaro ocupar um cargo em um eventual governo do filho.
Flávio afirmou que o pai nunca pediu nem sugeriu que gostaria de integrar a administração.
O presidente Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo. Nunca sugeriu que gostaria de trabalhar no governo — declarou.
O candidato acrescentou que considera um privilégio poder consultar o ex-presidente e disse que a nomeação não está entre suas prioridades atuais.
A declaração contrasta com uma fala anterior do senador, em maio, quando admitiu a possibilidade de nomear o pai caso ele desejasse exercer alguma função no governo.
Se ele quiser exercer algum cargo no meu governo, é óbvio que ele vai exercer, sim — afirmou na ocasião.
Questionado também sobre a possibilidade de nomear o irmão, Eduardo Bolsonaro, para o Ministério das Relações Exteriores, Flávio descartou a hipótese.
“Não. Ele não vai ser meu chanceler”, disse. Na sequência, defendeu a atuação política do ex-deputado no exterior e afirmou acreditar que a história reconhecerá sua trajetória.
Disputa presidencial entra na reta final
A entrevista integra a programação do Jornal Nacional com os candidatos que disputam o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Na quinta-feira (15), o entrevistado foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio Bolsonaro e Lula disputam a Presidência da República. Os temas abordados na entrevista desta sexta-feira incluíram transparência no financiamento de produções audiovisuais, relações entre agentes políticos e empresários, direitos trabalhistas e a composição de um eventual governo.
Fonte: Polemicaparaiba