Um estudo recente revelou que o exame de sangue Galleri, desenvolvido para identificar sinais de múltiplos tipos de câncer, apresentou resultados promissores na detecção precoce da doença. Os dados foram apresentados na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) 2026 e envolvem 142.942 participantes com idades entre 50 e 79 anos no Reino Unido.
O teste analisa fragmentos de DNA circulantes no sangue em busca de alterações associadas ao câncer. Quando um sinal suspeito é identificado, é necessário realizar exames complementares para confirmar ou descartar a presença da doença. O estudo, denominado NHS-Galleri, comparou dois grupos: um que realizou o exame de sangue anualmente, além dos cuidados habituais de saúde, e outro que recebeu apenas o acompanhamento padrão.
O principal objetivo do estudo era verificar se o exame poderia reduzir o número de diagnósticos de câncer em estágios III e IV, considerados mais avançados. Embora essa meta não tenha sido atingida, os pesquisadores observaram resultados relevantes em análises secundárias. Entre os participantes que realizaram o teste, houve uma redução de 14% nos diagnósticos de câncer em estágio IV e um aumento de 19% nos diagnósticos realizados nos estágios I, II e III.
Os autores do estudo afirmam que os dados sugerem que a tecnologia pode ajudar na identificação precoce de alguns tumores, antes que eles atinjam estágios mais avançados. O Galleri pertence a uma nova categoria de exames conhecida como detecção precoce multicâncer, que analisa padrões de DNA liberados na corrente sanguínea relacionados a diferentes tipos de câncer.
É importante ressaltar que o teste não substitui exames de rastreamento já recomendados, como mamografia e colonoscopia, e um resultado negativo não descarta completamente a presença de câncer. Os pesquisadores planejam continuar o acompanhamento dos participantes nos próximos anos para avaliar se a identificação mais precoce dos tumores pode resultar em benefícios de longo prazo, como a redução da mortalidade pela doença.
Os resultados atuais indicam que a tecnologia tem potencial para auxiliar na detecção de alguns cânceres em fases menos avançadas, mas novas análises serão necessárias para confirmar o impacto clínico dessa estratégia.