A Polícia Federal (PF) deu início a uma nova fase da Operação Sisamnes, que investiga a suposta venda de decisões judiciais por assessores do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O foco da ação é o ex-servidor Márcio José Toledo Pinto, que já foi demitido pelo tribunal.
Os agentes cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência de Márcio, localizada no Distrito Federal. Segundo a PF, ele teria utilizado seu cargo para acessar, editar e compartilhar indevidamente minutas de decisões judiciais.
As informações obtidas eram repassadas a um lobista interessado, identificado como Andreson de Oliveira Gonçalves. Um relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que o ex-assessor também teria vazado informações sigilosas e atuado na comercialização de decisões judiciais.
A investigação revelou movimentações financeiras suspeitas, com o lobista transferindo pelo menos R$ 4 milhões a Márcio. Os pagamentos foram feitos por meio de uma empresa registrada em nome da esposa do ex-servidor, visando ocultar a origem dos recursos.
A nova fase da operação foi autorizada após indícios de que Márcio estaria tentando obstruir as investigações, incluindo relatos de que ele monitorava os investigadores. A PF solicitou a prisão temporária do ex-assessor, mas o pedido foi negado pelo ministro Cristiano Zanin, do STF.
A Operação Sisamnes, que começou em 2024, visa investigar suspeitas de corrupção no Judiciário. Márcio já havia sido indiciado na primeira fase da operação por crimes como corrupção passiva e violação de sigilo funcional.
Fonte: Metropoles