Uma nova pesquisa realizada pelos institutos Alana e Equidade.info revela que 40% das meninas brasileiras que menstruam faltam à escola pelo menos uma vez por mês devido a cólicas menstruais. O estudo, divulgado na semana do Dia Internacional da Dignidade Menstrual, que ocorre em 28 de maio, entrevistou 2.551 estudantes, além de professores e gestores de instituições de ensino públicas e privadas.
A pesquisa indica que cerca de 3,6 milhões de estudantes enfrentam esse problema no Brasil. Entre as participantes, 60% relataram sofrer de cólicas menstruais fortes ou moderadas, que impactam suas atividades diárias e frequentemente exigem o uso de medicamentos.
A frequência das faltas varia conforme a intensidade da dor. Entre as meninas que faltam à escola, 20,5% perdem um dia por mês, enquanto 16% ficam afastadas entre dois e cinco dias.
Ana Beatriz Oliveira, de 13 anos, é um exemplo dessa realidade. Desde que menstruou pela primeira vez, aos oito anos, ela tem enfrentado fortes cólicas, o que a levou a faltar frequentemente às aulas.
Esse ano em específico, fiquei com muito medo de repetir por falta
, conta a adolescente, que já perdeu pelo menos 12 dias de aula desde o início do ano letivo.
Sofia Reinach, do Instituto Alana, destaca que o problema ainda é invisibilizado.
Muitas meninas e mulheres estão sofrendo com dor e tendo suas vidas afetadas por isso, mas hoje ainda há uma baixíssima visibilidade desse problema
, afirma.
O estudo também revela que o tema das cólicas menstruais é cercado de tabus nas escolas. Ana Beatriz menciona que a saúde menstrual raramente é discutida em sala de aula e, quando é, muitas vezes é tratada como piada entre os colegas.
Além disso, a percepção sobre o impacto da menstruação nos estudos varia entre os gêneros. Enquanto 41,2% das alunas acreditam que o período menstrual prejudica seus estudos e atividades esportivas, apenas 23,7% dos meninos compartilham dessa visão.
A pesquisa também aponta desigualdades raciais no acesso ao diagnóstico e no impacto das dores menstruais, com meninas negras faltando mais às aulas por questões menstruais em comparação com meninas brancas, apesar de relatarem menos episódios de dores intensas.
Os reflexos do problema se estendem ao ambiente de trabalho. Uma em cada dez professoras afirmou ter faltado ao trabalho no último ano por motivos relacionados à menstruação, e entre gestoras escolares, esse índice sobe para 16,2%.