A ansiedade que muitos sentem no início da semana pode ter consequências mais sérias do que se imagina. Pesquisadores da Universidade de Hong Kong conduziram um estudo que sugere que o chamado 'estresse de segunda-feira' pode provocar alterações no organismo que perduram por semanas, afetando a saúde cardiovascular.
Publicada no Journal of Affective Disorders em junho de 2025, a pesquisa analisou dados de mais de 3.500 idosos do Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento (ELSA). Os resultados mostram que aqueles que relatam ansiedade nas segundas-feiras apresentam níveis de cortisol, o hormônio do estresse, significativamente mais altos, mesmo dois meses após esse dia.
Em média, os níveis de cortisol foram 23% superiores em comparação com indivíduos que se sentiam ansiosos em outros dias da semana. Essa elevação prolongada é preocupante, pois o cortisol elevado está associado a problemas como hipertensão e maior risco de doenças cardiovasculares.
Um aspecto notável do estudo é que o efeito do estresse de segunda-feira também foi observado em aposentados, sugerindo que essa sensação não está restrita apenas à rotina de trabalho. A professora Tarani Chandola, responsável pela pesquisa, afirma que 'as segundas-feiras funcionam como um amplificador de estresse cultural', indicando que a transição semanal pode desencadear uma resposta biológica que persiste por meses.
Os pesquisadores notaram que a intensidade da ansiedade não é o único fator que contribui para esse efeito. A maneira como o corpo reage especificamente às segundas-feiras parece ter um impacto maior do que a ansiedade sentida em outros dias.
Além disso, o estudo sugere uma explicação biológica para um fenômeno já documentado em outras pesquisas, que indicam um aumento de 19% nos eventos cardíacos no início da semana. Isso pode estar relacionado ao funcionamento do sistema que regula a resposta ao estresse, que, quando ativado continuamente, mantém o cortisol elevado, afetando a saúde do coração e outros sistemas do corpo.
Os autores do estudo ressaltam a importância de entender esses mecanismos para desenvolver estratégias que visem a saúde de pessoas mais velhas, reconhecendo o impacto específico do início da semana e buscando formas de mitigar o estresse associado.