A Operação Fluxo Oculto, realizada em 28 de maio pelo Ministério Público de São Paulo, Receita Federal e outros órgãos, desvendou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro operado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações indicam que o grupo criminoso transformava recursos do mercado de combustíveis em patrimônio oculto no sistema financeiro.
O esquema iniciava em postos e distribuidoras de combustíveis e se estendia a fintechs e empresas de fachada, dificultando o rastreamento dos recursos. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), uma das principais fontes de receita do PCC era a fraude tributária, além da adulteração de combustíveis.
Uma das frentes investigadas envolve o desvio de nafta petroquímica, um solvente derivado do petróleo, que era utilizado ilegalmente para adulterar combustíveis. O Ministério Público revelou que empresas fantasmas simulavam compras regulares do produto, enquanto a substância era desviada para postos clandestinos na Grande São Paulo.
Os recursos obtidos inicialmente circulavam por distribuidoras e postos de combustíveis, sendo posteriormente pulverizados em fintechs, que os investigadores identificaram como "bancos paralelos" da organização. Ao menos seis plataformas financeiras foram utilizadas para transferências internas e pagamentos entre as empresas do grupo.
O uso dessas fintechs permitia fragmentar o fluxo financeiro, dificultando auditorias e rastreamentos. Parte do dinheiro, após passar por essas plataformas, era direcionada a fundos de investimento, que ocultavam os reais beneficiários das operações. Quatro desses fundos têm patrimônio estimado em R$ 205 milhões, com crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano.
Além disso, a investigação revelou que o grupo utilizava laranjas para abrir empresas e movimentar dinheiro, incluindo parentes e pessoas em situação de vulnerabilidade social. A operação, que resultou em 55 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, evidencia como organizações criminosas têm se infiltrado na economia formal.
Fonte: Metropoles