Com o suporte dos Estados Unidos, o Equador deu início a um plano de duas semanas para enfrentar as organizações de narcotráfico. A ação inclui rígidos toques de recolher nas regiões mais impactadas pela violência.
O presidente do Equador, Daniel Noboa, tem implementado uma política rigorosa contra os cartéis da cocaína nos últimos dois anos, mas os índices de homicídios e outros crimes permanecem elevados.
Até o dia 31 de março, as forças militares equatorianas realizarão uma "ofensiva muito forte" com a assistência americana, conforme antecipou o ministro do Interior, John Reimberg.
O governo ainda não decidiu se irá mobilizar tropas dos EUA em seu território, como já ocorreu anteriormente durante a gestão de Noboa.
"Estamos em guerra", afirmou Reimberg, pedindo à população que permaneça em casa durante a operação.
Embora o Equador não produza cocaína, tornou-se um importante ponto de trânsito para a droga que chega aos Estados Unidos, enfrentando uma das taxas de homicídio mais altas da América Latina.
Os toques de recolher proíbem a circulação nas províncias costeiras de Guayas, Los Ríos, Santo Domingo de los Tsáchilas e El Oro entre 23h e 5h locais, exceto para viajantes com passagens aéreas, profissionais de saúde e trabalhadores de emergência.
A medida gera preocupações entre diversos setores da sociedade, incluindo jornalistas e proprietários de estabelecimentos noturnos.
Martha Ladines, uma padeira em Guayaquil, expressou sua preocupação com a possibilidade de não conseguir iniciar seu trabalho a tempo devido ao toque de recolher.
O Equador faz parte de uma aliança de 17 países criada para combater o narcotráfico na região, após um acordo firmado em Miami.
Noboa se alinha a países que apoiam a campanha americana para expandir sua influência na América Latina, especialmente após a captura de Nicolás Maduro na Venezuela.
As forças especiais americanas têm colaborado com os comandos equatorianos em treinamento e inteligência. Recentemente, o governo anunciou a abertura do primeiro escritório do FBI no Equador.
A ofensiva gera divisões entre os equatorianos, com denúncias de abusos por parte da força pública durante os estados de exceção decretados por Noboa.
Luis Villacís, um vigilante, comentou sobre o impacto do toque de recolher em sua rotina de trabalho, mas reconheceu a necessidade da medida para controlar a insegurança.
Os equatorianos já se manifestaram contra o retorno de bases militares estrangeiras ao país em um referendo promovido por Noboa.