A Hungria realiza eleições neste domingo, que podem significar o término dos 16 anos de Viktor Orbán no poder. O atual primeiro-ministro enfrenta uma disputa acirrada contra Péter Magyar, um ex-aliado político, em um contexto de denúncias de interferência estrangeira. Pesquisas recentes sugerem que a oposição pode obter uma vitória significativa, resultando em uma mudança histórica no país.
Orbán, figura proeminente da extrema direita, foi eleito pela primeira vez em 1998 e retornou ao cargo em 2010, desde então mantendo uma ampla maioria no Parlamento. Seu partido, o Fidesz, tem promovido uma 'democracia cristã iliberal', reescrevendo a Constituição e implementando leis que restringem a liberdade de imprensa e os direitos de minorias, como a comunidade LGBTQIA+.
Apesar de suas políticas nacionalistas e conservadoras, que garantiram apoio popular, a atuação de Orbán gerou tensões com a União Europeia, resultando na suspensão de repasses financeiros devido a violações democráticas. O cenário atual, no entanto, é diferente, com a economia estagnada e a ascensão de Magyar, que lidera o partido de centro-direita Respeito e Liberdade.
Magyar, que se distanciou de Orbán ao acusar seu governo de corrupção, promete reaproximar a Hungria da União Europeia e manter políticas de combate à imigração. Sua campanha tem sido marcada por uma forte presença nas redes sociais e comícios patrióticos, o que resultou em um aumento nas intenções de voto.
Pesquisas indicam que o partido de Magyar pode conquistar entre 138 e 142 das 199 cadeiras do Parlamento, permitindo reformas constitucionais. Em contraste, o Fidesz deve garantir entre 49 e 55 cadeiras, enquanto outro partido de extrema direita, o Mi Hazank, deve obter de cinco a seis assentos.
Orbán, que é o governante mais duradouro da União Europeia, tem buscado apoio internacional, incluindo de líderes como Donald Trump, que expressou publicamente seu apoio à reeleição do premiê. Trump enviou seu vice-presidente à Hungria para participar de eventos ao lado de Orbán, acusando a União Europeia de interferência nas eleições.
Além disso, a Rússia também é apontada como uma possível interferente nas eleições, com relatos de tentativas de manter Orbán no poder. Orbán, por sua vez, tem utilizado a retórica de 'guerra ou paz' em relação à guerra na Ucrânia, sugerindo que a oposição poderia arrastar o país para o conflito.
Magyar, por sua vez, promete uma abordagem mais construtiva nas relações com a União Europeia e a Otan, além de medidas contra a corrupção e fortalecimento da independência da mídia e do Judiciário. Seu programa inclui a redução da intervenção estatal na economia e melhorias nos sistemas de saúde e educação.