Neste domingo, os eleitores franceses compareceram às urnas para escolher seus prefeitos, em uma votação que é considerada um teste crucial para a extrema-direita e para os partidos tradicionais, à medida que se aproxima a eleição presidencial do próximo ano.
Os prefeitos eleitos administrarão cerca de 35 mil municípios, que variam de grandes cidades a pequenos vilarejos. Os resultados dessas eleições locais têm o potencial de influenciar o cenário político nacional, especialmente em um momento em que pesquisas indicam que o Reunião Nacional (RN), partido de extrema-direita, pode ter chances de vitória nas próximas eleições presidenciais.
A votação se encerra às 17h (horário de Brasília), com os resultados preliminares sendo divulgados em seguida. Em diversas cidades de médio e grande porte, um segundo turno ocorrerá em 22 de março.
O RN, que adota uma postura anti-imigração e eurocética, busca conquistar espaço nas eleições municipais, apresentando candidatos em centenas de municípios. O partido espera demonstrar um aumento em sua popularidade e conquistar vitórias significativas que possam impulsionar sua campanha presidencial.
Se o povo de Marselha fizer uma escolha corajosa (…) isso encorajará e esclarecerá os franceses sobre a escolha que farão no próximo ano — afirmou Franck Allisio, candidato do RN em Marselha.
Allisio está em empate técnico nas pesquisas do primeiro turno com o atual prefeito socialista, Benoit Payan, o que representa uma oportunidade inédita para o RN em uma grande cidade francesa.
Em uma seção eleitoral em Marselha, um trabalhador da construção civil expressou ceticismo em relação ao RN, afirmando:
Eles não são piores do que os outros. Isso não vai mudar nada. Nada muda, e esse é o problema.
Ele destacou que a segurança é sua principal preocupação nesta eleição.
Pesquisas indicam que a segurança é a prioridade número um para os eleitores, alinhando-se com a ênfase do RN em questões de lei e ordem. Uma questão central será quais alianças o RN formará com outros partidos entre os dois turnos e se essa eleição poderá romper com a tradição de evitar a extrema-direita.
Nas últimas eleições municipais de 2020, a esquerda teve um desempenho favorável em todo o país, mas atualmente se encontra em uma posição enfraquecida. A capacidade da esquerda de manter Paris e outras cidades conquistadas, como Nantes e Estrasburgo, será observada com atenção.
Outro ponto importante é se os principais partidos de esquerda considerarão formar alianças com o partido de extrema-esquerda França Insubmissa (LFI) entre os dois turnos.