A temperatura da superfície do oceano Pacífico equatorial continua a subir, aumentando a intensidade do atual El Niño. Embora o fenômeno ainda não tenha alcançado o status de Super El Niño, a probabilidade de que isso ocorra em novembro é de 100%, conforme a atualização mensal da agência climática dos Estados Unidos.
O fenômeno, que teve início em junho, é caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas superficiais do Pacífico leste na região equatorial. A La Niña, em contraste, ocorre quando essa área apresenta temperaturas mais frias do que o normal.
A classificação do El Niño varia conforme a anomalia de temperatura: é considerado fraco quando a variação é de 0,5°C a 1°C, moderado entre 1°C e 1,5°C, forte de 1,5°C a 2°C, e muito forte quando supera 2°C. No trimestre de agosto a setembro, a temperatura foi de 1,7°C, enquanto a região Niño-3.4 está 2,1°C acima da média.
A NOAA também destaca que as chances de um evento histórico são elevadas. A física Michelle L'Heureux, responsável pelo monitoramento do fenômeno, menciona que o maior valor registrado desde 1950 foi de 2,4°C, durante o último trimestre de 1982-83. Há 54% de chance de que esse patamar seja atingido até novembro, aumentando para 83% até dezembro.
Um El Niño mais intenso não implica necessariamente em consequências mais catastróficas. No Brasil, espera-se que isso resulte em mais chuvas na região Sul e secas no Norte e Nordeste, efeitos que já estão sendo observados.
Dados do Cemaden indicam que o número de municípios em seca extrema aumentou de 4 para 24 em setembro, enquanto os em seca severa passaram de 153 para 197. Os estados mais afetados incluem Amazonas, Bahia, Amapá, Alagoas e Sergipe.
No Sul, chuvas intensas causaram inundações, especialmente no vale do Taquari e ao longo do rio Caí, no Rio Grande do Sul, além de municípios em Santa Catarina. A previsão do Inmet para o período de outubro a dezembro indica chuvas acima da média no Sul, parte do Sudeste e leste do Nordeste, com risco de cheias no Sul, embora este deva diminuir até dezembro.
Embora não se saiba ao certo se a mudança climática influencia o El Niño, o aquecimento global tende a aumentar a frequência e a intensidade de eventos extremos, potencializando os impactos de fenômenos sazonais.
A NOAA também informa que as temperaturas subsuperficiais no Pacífico oriental estão mais de 10°C acima da média, o que sugere que essas águas continuarão a alimentar o El Niño. O órgão prevê que o fenômeno se mantenha entre forte e muito forte de janeiro a março de 2027, com probabilidade superior a 83%.
Um relatório da Confederação Nacional de Municípios revela que, de julho a setembro, desastres climáticos afetaram 6,9 milhões de pessoas em 1.035 cidades, resultando em 25 mortes e 8,7 mil deslocados. As perdas totais são estimadas em R$ 12,6 bilhões, sendo R$ 8,8 bilhões de prejuízos privados e R$ 3,6 bilhões públicos.
Os maiores impactos financeiros ocorreram no Nordeste, com R$ 5,7 bilhões em perdas devido à intensificação da seca, afetando 319 municípios e cerca de 1,4 milhão de pessoas. O Sudeste também sofreu, com R$ 4 bilhões em prejuízos causados por vendavais e chuvas fortes, além de Minas Gerais enfrentando estiagem.
Fonte: Noticiasaominuto