Recentemente, a administração Trump reiterou a doutrina americana nas Américas, utilizando-a como justificativa para a captura do ditador Nicolás Maduro, que foi levado aos Estados Unidos sob acusações de tráfico de drogas.
Em um vídeo divulgado pelo Departamento de Estado, o embaixador americano no Panamá, Kevin Marino Cabrera, traça a origem da doutrina até 1823, quando os Estados Unidos se comprometeram a apoiar a independência dos países latino-americanos da influência europeia.
Inicialmente, a doutrina teve um caráter simbólico, já que a marinha americana não possuía a força necessária para implementá-la. No entanto, a situação mudou na segunda metade do século 19, com o crescimento econômico dos EUA impulsionado pela industrialização e expansão territorial.
Cabrera, um cubano-americano e apoiador de Trump, defende o papel imperialista dos EUA na América Latina, mencionando a guerra contra a Espanha que resultou na independência de Cuba, que passou a ser influenciada por Washington.
O vídeo, que foi postado no X, inclui a frase de Trump: 'o domínio americano no hemisfério ocidental jamais será questionado novamente', uma declaração feita após a captura de Maduro, que tinha laços com a Rússia e a China.
Entretanto, a apresentação de Cabrera contém imprecisões históricas. Ele afirma que os EUA foram fundamentais para a expulsão da França do México, mas a resistência foi liderada pelo presidente mexicano Benito Juárez, que organizou a luta contra a invasão europeia.
Os Estados Unidos só ofereceram apoio financeiro a Juárez em 1865 e ameaçaram ações militares contra a França em 1867, quando a situação no México já estava sob controle do governo republicano.
Embora o vídeo mencione a intervenção americana na Nicarágua em apoio ao ditador Anastasio Somoza, ele ignora outros episódios em que os EUA apoiaram regimes autoritários na América Latina, como no Chile e no Brasil, além de falhar em intervenções, como a invasão da Baía dos Porcos em Cuba.
Fonte: Noticiasaominuto