Entre janeiro de 2024 e março de 2026, 4.950 crianças menores de 15 anos foram internadas em Gaza devido à desnutrição aguda, conforme um relatório da organização Médicos Sem Fronteiras. A maioria dessas crianças, 98%, tinha menos de 5 anos.
A ONG atribui esse aumento alarmante à dificuldade de acesso a alimentos, que se intensificou após o início do conflito com Israel. Antes das ofensivas, não havia registros de desnutrição na região.
O impacto da insegurança alimentar também afeta os recém-nascidos. Durante o mesmo período, 201 mães foram atendidas em unidades de terapia intensiva neonatal, com mais da metade delas enfrentando desnutrição em algum momento da gestação. Além disso, 25% das mães estavam desnutridas no momento do parto.
Os dados são preocupantes: 90% dos bebês dessas mães nasceram prematuramente e 84% apresentaram baixo peso ao nascer. A mortalidade neonatal foi duas vezes maior entre os bebês de mães desnutridas em comparação com os de mães sem essa condição.
Entre outubro de 2024 e dezembro de 2025, 513 bebês com menos de seis meses foram atendidos em programas ambulatoriais de alimentação terapêutica. No entanto, 32% abandonaram o tratamento devido à insegurança e deslocamento.
Dos que permaneceram no tratamento, 48% foram curados, enquanto 7% morreram e outros 7% foram encaminhados para programas destinados a crianças maiores. A situação alimentar em Gaza é crítica, com cerca de três quartos da população enfrentando altos níveis de insegurança alimentar aguda entre outubro e novembro de 2025.
Em agosto de 2025, a região teve estado de fome declarado, a primeira vez que isso ocorre no Oriente Médio. A Organização das Nações Unidas define a classificação de fome quando três limiares críticos são ultrapassados: privação extrema de alimentos, desnutrição aguda e mortes relacionadas à fome.