A política imigratória de Donald Trump, que desempenhou um papel crucial em sua campanha de 2024, pode se transformar em um fardo político nas vésperas das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos. Nos últimos meses, imagens de agentes de imigração prendendo e perseguindo imigrantes em situação irregular se tornaram comuns, intensificando as tensões entre a população e os agentes do ICE.
A situação se agravou neste ano, quando dois cidadãos americanos que protestavam contra a violência institucional foram mortos por agentes em Minnesota. A resposta do governo foi rápida, rotulando as vítimas como terroristas. No entanto, as imagens do ocorrido geraram protestos e críticas, inclusive dentro do Partido Republicano, resultando em um desgaste na imagem do presidente.
Uma pesquisa da Reuters-Ipsos revelou que a aprovação da política imigratória de Trump caiu de 50% em janeiro de 2025 para 40% atualmente. Com as eleições se aproximando, 52% dos americanos afirmaram que têm menos probabilidade de votar em candidatos que apoiem a abordagem de deportações do presidente.
Entre os eleitores independentes, a rejeição é ainda maior, com 57% preferindo candidatos que se oponham às deportações. A pesquisa também mostrou que apenas um em cada quatro entrevistados considera os esforços de repressão menos agressivos do que um mês atrás, enquanto 70% desejam uma abordagem mais moderada.
Embora 84% dos americanos considerem fronteiras seguras importantes e 87% apoiem o cumprimento das leis de imigração, muitos rejeitam a forma como a política tem sido conduzida. A deputada Maria Elvira Salazar, uma voz crítica dentro do Partido Republicano, pediu um debate mais amplo sobre a reforma do sistema imigratório, enfatizando que a fiscalização deve se concentrar em criminosos perigosos, não em trabalhadores sem documentação.
As consequências dessa tensão já são visíveis, com operações sendo paralisadas e mudanças na liderança da Secretaria de Segurança Interna. O que antes era uma bandeira política agora se transforma em um problema, e as eleições de novembro podem refletir esse desgaste.