Recentemente, arqueólogos no Egito descobriram as ruínas de um templo com aproximadamente 2.200 anos, dedicado ao deus Pelúsio, localizado em Tell el-Farma, na antiga cidade de Pelúsio, no norte da península do Sinai. As evidências apontam que o local foi utilizado de forma contínua entre os séculos II a.C. e VI d.C., apresentando poucas alterações ao longo do tempo.
O Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito destacou que essa descoberta pode reescrever a história da cidade e seu papel no mundo antigo. A revelação foi feita em uma publicação no Facebook do ministério, que também compartilhou imagens do templo.
Após seis anos de escavações, a missão arqueológica do Conselho Supremo de Antiguidades revelou um edifício singular, associado ao culto do deus local. O templo possui uma bacia circular de cerca de 35 metros de diâmetro, cercada por um sistema de canais de drenagem que se conecta a um braço do rio Nilo. No centro, há uma base quadrada que pode ter sustentado uma estátua colossal do deus Pelúsio.
De acordo com Mohamed Abdel Badie, chefe do Setor de Antiguidades Egípcias, a bacia era preenchida com água carregada de lodo do rio, simbolizando a divindade, cujo nome deriva da palavra grega "Plus", que significa "lama". Hisham El-Leithy, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, afirmou que o achado evidencia o papel de Pelúsio na difusão de ideias religiosas e culturais na antiguidade, destacando o projeto arquitetônico único do templo, que combina tradições egípcias com influências helenísticas e romanas.
O ministro do Turismo e Antiguidades, Sherif Fathy, ressaltou a importância estratégica e arqueológica do norte do Sinai, enfatizando que a região ainda guarda muitos sítios promissores. Ele também reafirmou o compromisso do ministério em continuar as escavações e estudos científicos, considerados essenciais para ampliar o conhecimento histórico.
A descoberta teve início em 2019, quando cerca de 25% de uma estrutura circular de tijolos foi encontrada. Inicialmente, acreditava-se que se tratava do edifício do Senado da antiga cidade, mas escavações subsequentes revelaram a totalidade da construção, agora considerada uma obra arquitetônica complexa. O templo possui entradas nos lados leste, sul e oeste, enquanto a parte norte foi severamente danificada. Após estudos comparativos com modelos arquitetônicos dos períodos helenístico e romano, os pesquisadores concluíram que o edifício não era uma estrutura civil, mas sim uma instalação de água sagrada ligada a rituais religiosos.