Um grupo de deputados estaduais de São Paulo protocolou um pedido de cassação da deputada Fabiana Bolsonaro (PL) no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). A ação foi motivada por acusações de racismo, especificamente a prática de blackface, e um discurso considerado transfóbico proferido pela deputada na tarde desta quarta-feira.
Durante sua fala no plenário, Fabiana criticou a eleição da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados, o que gerou reações imediatas. A deputada estadual Mônica Seixas e a vereadora Luana Alves, ambas do PSOL, também registraram um boletim de ocorrência contra Fabiana na Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.
Mônica Seixas expressou sua indignação nas redes sociais, afirmando:
Racismo e transfobia são crimes! Já acionamos o Conselho de Ética e estamos na delegacia exigindo responsabilização imediata.
Além disso, a deputada Ediane Maria (PSOL) denunciou Fabiana ao Ministério Público de São Paulo por racismo.
Em resposta às acusações, Fabiana Bolsonaro afirmou que sua atitude no plenário foi uma analogia e declarou:
A analogia foi clara, só não entendeu quem não quis! Assim como eu não me torno negra só porque pintei a pele, ninguém que não nasceu mulher pode representar com legitimidade as dores biológicas, psicológicas e históricas que só as mulheres biológicas conhecem.
A deputada também divulgou uma nota pública negando a prática de blackface, afirmando:
Como deputada, afirmo com total clareza e responsabilidade jurídica: durante minha presença no Plenário da Assembleia Paulista não fiz blackface. É uma mentira deliberada para tentar calar um debate legítimo.
Durante seu discurso, Fabiana pintou seu rosto e braços de marrom, questionando:
Estou pintada de negra por fora. Eu me reconheço como negra. Por que então eu não posso presidir a Comissão sobre racismo, antirracista? Por que não posso cuidar dessa pauta? Porque eu não sou negra?