Na tarde de quarta-feira, a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) provocou polêmica ao realizar um ato de 'blackface' no Plenário da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O protesto foi direcionado à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que ocupa a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.
Fabiana Bolsonaro argumentou que Erika Hilton estaria 'roubando um espaço' das mulheres cisgênero. Durante sua manifestação, a parlamentar fez uma analogia entre a transição de gênero e uma suposta 'transição de raça', questionando: 'Agora, aos 32 anos, decido me maquiar. Me pintando de negra, sinto na pele a dor que uma pessoa negra sentiu? O racismo? Eu estou negra agora?'
Ela continuou sua fala, afirmando que não poderia compreender as dores enfrentadas por pessoas negras e, por isso, não acreditava que Hilton pudesse representar adequadamente as mulheres cisgênero. 'Eu me reconheço como negra, por que eu não posso presidir a comissão sobre racismo? Por que eu não posso cuidar dessa pauta?', indagou.
Além disso, Fabiana defendeu a criação de uma comissão separada para pessoas trans, sugerindo que 'uma trans está tirando o espaço de uma mulher [cis]'. Ela argumentou que a comunidade trans também precisa de defesa, mas que isso não deveria ocorrer à custa das mulheres cisgênero.
É importante ressaltar que, em várias localidades do Brasil, comissões de Direitos da Mulher são frequentemente lideradas por homens. A questão de gênero tem sido pouco debatida por setores da direita e extrema-direita, que agora utilizam a figura de Erika Hilton para ganhar visibilidade. Hilton é reconhecida por sua atuação em prol dos direitos das mulheres, sendo uma das parlamentares que mais apresentou e aprovou projetos voltados para essa causa.
Fabiana de Lima Barroso, que adotou o sobrenome do ex-presidente Jair Bolsonaro como forma de identificação política, já foi vice-prefeita de Barrinha, no interior de São Paulo, antes de ser eleita para a Alesp.