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Deportações de brasileiros nos EUA: 60% são expulsos pelo ICE

Dados recentes mostram que 60% dos brasileiros detidos pelo ICE nos EUA são deportados, com a maioria sem acusações criminais. O tempo médio de espera por decisões judiciais caiu para 37 dias.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

Seis em cada dez brasileiros detidos pelo ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, são deportados. A maioria deles, cerca de dois terços, não enfrenta acusações criminais, já que o status imigratório irregular não é considerado crime no país. Em média, esses imigrantes aguardam 37 dias entre a apreensão e a decisão judicial sobre seus casos.

Os dados, inéditos, foram organizados pelo Observatório das Deportações, vinculado à Universidade Estadual de Montes Claros, e obtidos por meio de um pedido ao ICE. As informações abrangem os anos de 2023 e 2024, durante o governo de Joe Biden, e 2025 e 2026, nos primeiros anos do segundo mandato de Donald Trump.

Até agosto de 2026, 3.650 brasileiros foram detidos, com o maior número registrado em julho, quando 709 foram apreendidos. O ICE não divulga quantos desses imigrantes entraram no país de forma irregular. As detenções estão concentradas na Costa Leste dos EUA, onde reside a maior parte da comunidade brasileira, especialmente em Massachusetts, Flórida, Nova Jersey, Pensilvânia e Nova York.

Quase 60% dos detidos não foram formalmente acusados de crimes, sendo a maioria presa por estar em situação irregular. Outros 30% enfrentam acusações, mas ainda não receberam sentença, enquanto 10% já foram considerados culpados. Embora a base de dados não especifique os crimes, relatos indicam que delitos relacionados a tráfico de drogas e violência contra a mulher são comuns.

O aumento nas detenções resultou em um tempo médio de espera para decisões judiciais reduzido, caindo de 161 dias em 2024 para 37 dias em 2026. Aproximadamente 30% dos detidos recebem liberdade condicional, podendo ser monitorados ou se apresentar mensalmente à Justiça. Essa porcentagem aumentou em 2026, desafiando o sistema prisional.

Embora a maioria dos detidos seja adulta, 569 crianças foram presas nos primeiros anos do governo Trump, um número semelhante ao registrado durante a administração Biden. As crianças geralmente são liberadas rapidamente, acompanhadas por seus pais.

Em média, 75% dos brasileiros detidos nos últimos quatro anos eram homens, percentual que subiu para 80% durante o governo Trump. Essa tendência reflete uma priorização na deportação de homens adultos, que frequentemente são os provedores da família, levando outros membros a buscar a autodeportação.

Dados sobre autodeportações não são contabilizados, dificultando a avaliação do impacto das políticas migratórias. No entanto, autoridades relataram um aumento na busca por saídas voluntárias, especialmente com o aumento das apreensões pelo ICE.

Além disso, houve um aumento significativo nas solicitações de certidão de nascimento para crianças nascidas nos EUA de pais brasileiros, com mais de 21 mil pedidos em 2025. Isso reflete a preocupação das famílias em regularizar a documentação de seus filhos antes de uma possível autodeportação.

O número real de brasileiros detidos pode ser ainda maior, já que a base de dados do Observatório das Deportações considera apenas as apreensões do ICE. Entre janeiro e maio, 176 brasileiros foram detidos pelo CBP na fronteira com o México, um número inferior ao de anos anteriores devido à política restritiva do governo Trump.

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