Uma investigação iniciada em fevereiro de 2025, a partir de uma denúncia feita por um traficante, culminou na prisão de um delegado e dois agentes da Polícia Civil da Paraíba. A Operação Perfidus, conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), Unidade de Inteligência Policial (UNINTELPOL) e Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), foi detalhada pelo delegado Rafael Bianchi em uma coletiva de imprensa realizada em João Pessoa.
Segundo Bianchi, a denúncia indicava que entorpecentes pertencentes ao traficante foram retirados de maneira irregular por membros da equipe policial. A partir dessa informação, a DRACO iniciou uma série de investigações para apurar a veracidade das acusações.
As primeiras ações da investigação incluíram a identificação do denunciante, que foi confirmado como parte de uma organização criminosa. Em seguida, os investigadores monitoraram a rotina dos policiais suspeitos, reunindo evidências que fundamentaram o avanço das apurações.
A operação resultou no cumprimento de nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão em diversos municípios da Paraíba. Entre os detidos está o delegado Braz Morrone, que possui mais de 20 anos de experiência na corporação, além de dois agentes civis com supostas ligações a um grupo criminoso.
O traficante que fez a denúncia também foi preso durante a operação. Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 10 milhões em bens e valores relacionados aos investigados, visando interromper a movimentação financeira do grupo e garantir o ressarcimento de danos.
As investigações revelaram que os suspeitos obtiveram informações privilegiadas sobre veículos e imóveis utilizados por traficantes para o armazenamento e transporte de drogas. Com esses dados, o grupo teria realizado ações clandestinas, utilizando sua condição funcional para encobrir atividades ilícitas.
Além disso, foi identificado um esquema de desvio de drogas, que eram comercializadas ilegalmente, inclusive dentro do sistema prisional. Os lucros obtidos eram divididos entre os agentes públicos e outros membros da organização criminosa.
Os investigadores também descobriram indícios de manipulação de procedimentos policiais para dar uma aparência de legalidade às ações criminosas, dificultando a identificação do esquema. Informações sigilosas sobre operações policiais eram repassadas a integrantes do tráfico, permitindo a evasão de suspeitos e a continuidade das atividades ilícitas.
O nome da operação, Perfidus, que significa "traidor" ou "desleal" em latim, foi escolhido em referência às condutas atribuídas aos investigados, que teriam utilizado estruturas estatais para favorecer atividades criminosas.
Após as prisões, o delegado Braz Morrone e os dois agentes da Polícia Civil serão afastados de suas funções operacionais. O secretário de Segurança da Paraíba, Jean Nunes, indicou que sanções administrativas, incluindo a expulsão da corporação, poderão ser aplicadas.