A cúpula das Forças Armadas brasileiras vê como improvável a realização de operações terrestres pelos Estados Unidos contra narcotraficantes na América Latina, especialmente em território brasileiro. Militares que mantêm contato frequente com as forças americanas afirmam que qualquer ação direta dependeria da colaboração das instituições nacionais.
De acordo com a avaliação dos militares, o Exército teria um papel central em uma eventual operação, devido à sua presença ao longo da extensa fronteira terrestre do Brasil, que se estende por quase 17 mil quilômetros e faz divisa com dez países sul-americanos. Essa realidade representa um desafio significativo para ações terrestres contra o narcotráfico.
Além disso, a análise da cúpula militar considera que os Estados Unidos reconhecem que o Brasil não é um grande produtor de drogas, sendo mais frequentemente visto como um consumidor e um importante entreposto comercial para o tráfico.
Outro aspecto destacado pelos militares é a complexidade da fronteira brasileira. A vasta extensão territorial dificultaria uma operação terrestre direta dos Estados Unidos. Para ilustrar, eles mencionam as dificuldades enfrentadas pelos americanos na fronteira com o México, que, apesar de ter apenas pouco mais de 3 mil quilômetros, apresenta desafios operacionais conhecidos no combate ao narcotráfico.
Essa avaliação surge após o anúncio do chefe do Pentágono, Pete Hegseth, que durante uma visita ao Panamá declarou que os Estados Unidos planejam realizar ataques em terra contra narcotraficantes na América Latina. Hegseth também mencionou que essa estratégia já inclui ações em águas internacionais contra embarcações suspeitas de contrabando de drogas.
Apesar do anúncio, a cúpula das Forças Armadas do Brasil não acredita que o país seja alvo dessas operações. Para os militares, uma intervenção no território nacional não poderia ocorrer de forma independente e exigiria a colaboração das instituições brasileiras, especialmente do Exército.
Fonte: Noticiasaominuto