O líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, revelou em um pronunciamento na televisão estatal que autoridades cubanas estão em diálogo com representantes do governo dos Estados Unidos para buscar uma solução para o bloqueio petrolífero imposto por Washington. Segundo Díaz-Canel, Cuba não recebeu combustível nos últimos três meses, o que intensificou uma grave crise econômica e humanitária no país.
A situação se agravou com a proibição do comércio de petróleo venezuelano, que foi implementada por Donald Trump após a captura do ditador Nicolás Maduro. O país enfrenta apagões de até 20 horas diárias, fechamento de hotéis, cancelamento de voos e suspensão de serviços básicos.
Essas conversas tiveram como objetivo encontrar soluções por meio do diálogo para as diferenças bilaterais que temos entre as duas nações — afirmou o líder cubano, que também expressou a disposição de Cuba em continuar as negociações.
Díaz-Canel destacou que a falta de energia elétrica tem causado angústia à população e instabilidade nos serviços essenciais. Ele questionou quais países conseguiriam manter a geração elétrica sob um bloqueio como o atual, ressaltando que a ilha tem feito um uso racional e criativo dos recursos disponíveis.
O líder cubano anunciou que o país está aumentando a produção de petróleo bruto e gás domésticos, e chamou o bloqueio de "perverso", afirmando que a falta de luz impacta o sistema de saúde e gera filas para procedimentos cirúrgicos. Padarias têm recorrido ao uso de lenha e carvão para continuar operando.
Na noite anterior, Cuba anunciou a libertação de 51 prisioneiros como um gesto de boa vontade em relação ao Vaticano, que atua como mediador entre Havana e Washington. Díaz-Canel afirmou que essa decisão foi tomada autonomamente pelo regime.
A declaração de Díaz-Canel confirmou relatos de reuniões entre funcionários da Casa Branca e cubanos próximos ao ex-líder Raúl Castro. Trump já havia mencionado que Cuba "deseja muito fechar um acordo" com os EUA.
Recentemente, Trump indicou que os EUA se concentrarão em Cuba após a guerra no Irã, afirmando que a normalização das relações será apenas uma questão de tempo. Desde a operação militar americana na Venezuela, Cuba deixou de receber petróleo de Caracas, essencial para sua economia.
A crise energética, que se soma à prolongada crise econômica, levou algumas famílias a instalar painéis solares, embora essa solução seja limitada. O colapso do setor turístico, agravado pela escassez de petróleo, também impacta a economia, com companhias aéreas como a Air France suspendendo operações no país.
O governo Trump justifica sua política de bloqueio econômico contra Cuba, alegando que o país representa uma "ameaça excepcional" à segurança dos EUA, devido às suas relações com Rússia, China e Irã.