Em resposta às ameaças de Donald Trump sobre uma possível invasão a Cuba, o governo em Havana está monitorando a movimentação militar dos Estados Unidos na região. O embaixador cubano José R. Cabañas Rodríguez enfatizou que a ilha se prepara para essa possibilidade.
Os que precisam analisar a iminência, ou não, da invasão fazem o seu trabalho, se estuda constantemente o movimento das forças militares, sabemos que a guerra hoje pode ser liberada à distância — afirmou o diretor do Centro de Investigações de Política Internacional (Cipi), em Havana.
Cabañas também destacou que o risco de uma ação militar dos EUA é uma constante em Cuba desde a Revolução de 1959, ressurgindo em momentos de fragilidade econômica que poderiam oferecer uma chance de sucesso para os EUA.
É uma possibilidade para a qual Cuba historicamente se preparou, e entendemos aqui que a chave para enfrentar tal situação é a unidade do povo
, acrescentou, lembrando da invasão da Praia Girón, em 1961.
O diplomata, que foi o primeiro embaixador de Cuba nos EUA durante o governo de Barack Obama, observou que a percepção de uma invasão iminente já ocorreu em outras ocasiões, como nas invasões de Granada e Panamá.
Cabañas ressaltou que, diferentemente de outras épocas, atualmente há um excesso de informações sobre uma possível invasão, que ele considera uma tentativa de amedrontar a população cubana.
A Casa Branca tem intensificado as ameaças de ação militar contra Cuba, especialmente após o endurecimento do bloqueio econômico, que resultou em uma grave crise de abastecimento de petróleo na ilha.
Recentemente, um petroleiro russo conseguiu furar o bloqueio dos EUA, trazendo um alívio temporário, mas as dificuldades persistem, levando a apagões frequentes em várias regiões do país.
Em meio a essa situação, Cuba iniciou negociações com os EUA para buscar um acordo que permita a importação de petróleo, mas Cabañas enfatizou que o país não fará concessões que comprometam sua soberania.
Na ONU, o presidente Miguel Díaz-Canel denunciou o bloqueio energético dos EUA como uma punição coletiva, afetando gravemente a saúde e o bem-estar da população cubana.
Cuba enfrenta um momento crítico, com relatos de dificuldades extremas devido ao bloqueio, e o presidente cubano se reuniu com parlamentares dos EUA que criticam essa política.
Díaz-Canel, em entrevista à NBC News, reafirmou a determinação de Cuba em resistir a qualquer ação militar, afirmando que o país se defenderá com firmeza.
O embargo dos EUA, que já dura 66 anos, continua a ser uma ferramenta de pressão contra o governo cubano, que desafia a hegemonia dos EUA na América Latina.