A contagem de votos no Peru continua sem definição sobre os candidatos que disputarão o segundo turno da eleição presidencial, dois dias após o pleito. A apuração, que avança lentamente, mostra um cenário de forte disputa entre os candidatos.
Com 77% das urnas contabilizadas, os resultados indicam que Keiko Fujimori lidera com 16,9%, seguida por Rafael López Aliaga com 12,7%, Jorge Nieto Montesinos com 11,8% e Roberto Sánchez com 10,3%. A lentidão na apuração remete à eleição de 2021, quando o resultado final foi conhecido apenas cinco dias após o fechamento das urnas.
Além da contagem demorada, a eleição enfrentou problemas logísticos que impediram muitos eleitores de exercer seu direito de voto. Em Lima, mais de 52 mil pessoas puderam votar apenas na segunda-feira, após a extensão do prazo.
Uma missão de observação eleitoral da União Europeia declarou não ter encontrado "fundamentos suficientes
para as alegações de fraude, que foram levantadas por López Aliaga, que descreveu o pleito como uma
fraude de tipo único no mundo", sem apresentar provas.
O segundo turno está agendado para 7 de junho, e o vencedor será o nono presidente do Peru em uma década. A eleição ocorre em um contexto de crescente criminalidade e casos de corrupção, que geram descontentamento entre os eleitores.
Fujimori promete um combate mais rigoroso ao crime, mas suas propostas incluem medidas que, segundo especialistas, podem dificultar a punição de criminosos. Ela sugere que juízes em casos criminais mantenham suas identidades em sigilo e que presos trabalhem para garantir sua alimentação.
Por outro lado, López Aliaga propõe a construção de presídios na região amazônica e defende o anonimato para juízes, além da expulsão de estrangeiros em situação irregular.
Apesar da instabilidade política e do aumento da violência, a economia peruana tem mostrado resiliência, com crescimento acima de 3% previsto para 2024 e 2025, impulsionado pela produção de cobre.