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Concessão da CAGEPA gera polêmica e falta de debate na Paraíba

A concessão dos serviços da CAGEPA pelo Governo da Paraíba levanta questões sobre a falta de transparência e debate público, em contraste com reações passadas. A população se sente excluída de uma decisão crucial.
Foto: Simoneduarte

A decisão do Governo do Estado de avançar com a concessão dos serviços da CAGEPA surpreendeu a população paraibana. A discussão sobre a participação da iniciativa privada no saneamento público é ofuscada pela forma como o processo está sendo conduzido: de maneira rápida, sem amplo debate popular e com questionamentos sem respostas claras.

A população foi informada sobre a negociação como se já estivesse finalizada, sem que houvesse um debate público adequado à importância da questão. O serviço de água e saneamento é essencial e diretamente ligado à dignidade humana.

Perguntas surgem: quantas audiências públicas foram realizadas? Onde está o diálogo com a sociedade? Qual foi o nível de transparência dessa negociação? E a discussão legislativa sobre uma medida tão impactante para o patrimônio público estadual?

A situação se complica com notícias sobre a empresa vencedora do leilão, que está ligada a escândalos de corrupção na Espanha. Embora investigações não impliquem automaticamente em condenações, é natural que a população questione os critérios e a segurança da negociação.

Outro ponto intrigante é o silêncio de setores que, em 2017, se opuseram fortemente a mudanças na CAGEPA. Naquela época, houve intensa mobilização e protestos contra a privatização, mas agora a reação é notavelmente diferente.

A ausência de protestos e a falta de posicionamento de representantes sindicais que antes eram combativos geram questionamentos sobre o que mudou desde então. O silêncio atual contrasta com a indignação do passado e levanta dúvidas sobre os interesses envolvidos na negociação.

O timing político da operação, em um ano eleitoral, também aumenta a desconfiança popular. Negociações públicas em períodos politicamente sensíveis exigem maior transparência.

O senador Veneziano Vital do Rêgo, que já se posicionava contra esse tipo de medida em 2017, mantém sua posição atual, destacando a importância da coerência política. O senador Efraim Filho expressou surpresa com a condução da negociação, indicando que houve pouca construção coletiva em torno da decisão.

O maior problema pode não ser apenas a privatização, mas a falta de transparência e o silêncio de antigos opositores. A população se sente como espectadora de uma decisão que parece já ter sido tomada nos bastidores.

A Paraíba precisa de respostas, debate público e transparência. O silêncio em relação a uma decisão tão impactante é inquietante. A CAGEPA enfrenta problemas há décadas, mas a mobilização popular que existiu no passado parece ter desaparecido.

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