Uma recente operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro destacou a estrutura financeira do Comando Vermelho (CV), revelando seu controle sobre serviços de internet, TV a cabo e telecomunicações em comunidades sob sua influência. A investigação, conduzida pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro, aponta que a facção estabeleceu um monopólio nesse setor, tornando-o uma das principais fontes de financiamento da organização.
Os investigadores identificaram que esse modelo de negócios atua como um "braço financeiro" do CV, gerando recursos essenciais para a compra de armamentos, pagamento de membros e expansão territorial. O inquérito revela que, em várias comunidades, o Comando Vermelho impede a atuação de empresas de telecomunicações legítimas, forçando os moradores a utilizar seus serviços e a arcar com taxas impostas pelos traficantes.
Além da internet, o esquema inclui a oferta clandestina de TV a cabo e outros serviços de telecomunicações, que operam paralelamente ao mercado legal. Um exemplo claro dessa prática é a comunidade da Gardênia Azul, onde Elder de Lima Landim, conhecido como "Dom", gerenciava a estrutura criminosa. Documentos analisados pela polícia indicam que ele era responsável pela arrecadação e distribuição de lucros provenientes de atividades típicas de milícias, como a cobrança de taxas por serviços de internet e fornecimento de água.
Dom também controlava o aluguel e a venda de imóveis, além de cobrar taxas de comerciantes locais. Sua morte em maio de 2025 foi considerada pela polícia como uma possível eliminação interna dentro da facção. A investigação sugere que o modelo de exploração econômica adotado pelo CV foi herdado das milícias. Após assumir o controle da Gardênia Azul, o Comando Vermelho manteve a exploração de serviços, operando sob uma lógica econômica similar à das milícias, onde o tráfico de drogas e a cobrança de taxas se tornaram interligados.
Fonte: Metropoles