O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, chegou à China para um encontro com seu homólogo, Wang Yi, em um momento crítico, uma semana antes da visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao país asiático.
A reunião foi convocada por Pequim, que teme que a guerra no Irã afete sua matriz energética, uma vez que a maior parte do petróleo que passa pelo estreito de Hormuz, foco de tensão, tem como destino a China.
Esta é a primeira visita de Araghchi à China desde o início do conflito. O Ministério das Relações Exteriores do Irã informou que a visita visa dar continuidade a consultas diplomáticas e discutir as relações bilaterais e internacionais.
Durante o encontro, Araghchi abordou o andamento das negociações com os EUA, afirmando que o Irã só aceitará 'um acordo justo e abrangente'. Ele destacou: 'Faremos todo o possível para proteger nossos direitos e interesses legítimos nas negociações'.
O chanceler chinês, por sua vez, enfatizou a necessidade de encerrar as hostilidades, apoiando o Irã na defesa de sua soberania e segurança. As autoridades também discutiram a questão nuclear, com Wang reconhecendo o direito do Irã ao desenvolvimento pacífico de energia atômica.
A nota oficial da China menciona que Araghchi indicou que a reabertura do estreito está próxima, embora essa afirmação não tenha sido corroborada pela agência iraniana.
A China se posiciona como um ator imparcial no conflito, condenando as ações dos EUA e de Israel contra o Irã e se oferecendo como mediadora para a desescalada da guerra.
Recentemente, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, solicitou à China que intensificasse seus esforços diplomáticos para garantir a reabertura do estreito de Ormuz à navegação internacional.
A China mantém relações diplomáticas com o Irã e tem ampliado a cooperação política e econômica com o país persa, que é estratégico para a iniciativa chinesa Cinturão e Rota.
Os EUA tentam pressionar a China a assumir um papel nas negociações para a reabertura do estreito, argumentando que as refinarias chinesas ignoram sanções e continuam a receber petróleo iraniano.
Em abril, os EUA impuseram sanções à refinaria chinesa Hengli Petrochemical, acusada de comprar petróleo iraniano, aumentando a lista de empresas sancionadas por negociações com o Irã.
Em resposta, a China utilizou um mecanismo criado para neutralizar imposições que considera violações das leis internacionais, permitindo que suas empresas não cumpram as decisões americanas contra as refinarias.
Espera-se que Wang e Araghchi tenham discutido o fechamento de Hormuz, preparando o terreno para a visita de Trump na próxima semana.
Bessent já havia indicado que o fechamento do estreito seria um dos tópicos na agenda da reunião entre Trump e Xi, marcada para 14 e 15 de maio, em meio à trégua comercial entre os dois países.