A política paraibana vivenciou uma semana de efervescência entre os dias 9 e 13 de fevereiro de 2026, marcada por um complexo entrelaçamento de articulações partidárias e redefinições de alianças. Os bastidores fervilharam com declarações públicas, embates entre lideranças e decisões que, por vezes, apontavam para rearranjos significativos no panorama eleitoral vindouro, revelando um período de intensa movimentação e preparação para o pleito.
O Xadrez das Alianças Governistas e Dissidências Internas
No âmbito das consolidações pró-governistas, o prefeito interino de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), formalizou seu apoio ao governador João Azevêdo (PSB) e ao prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), para o Senado Federal. Este movimento solidificou a unidade em torno do grupo político que sustenta a atual gestão estadual, projetando um alinhamento para as eleições majoritárias.
Em contraste com a coesão observada em Cabedelo, emergiu uma fissura dentro da própria base socialista: o prefeito de São João do Rio do Peixe, também filiado ao PSB, anunciou seu suporte à pré-candidatura de Cícero Lucena (MDB), atual prefeito de João Pessoa, para o Governo do Estado. Tal declaração sinaliza uma ramificação de apoios que desafia a unidade partidária esperada e adiciona uma camada de complexidade às articulações no campo governista.
O Epicentro PSB: Rumores, Lealdades e Caminhos Abertos
O Partido Socialista Brasileiro (PSB) foi o centro de grande parte das discussões. O governador João Azevêdo buscou minimizar as especulações sobre um possível rompimento com o Dr. Jhony Bezerra, ex-superintendente da PB Saúde, defendendo que cada liderança possui autonomia para traçar seu próprio percurso político. Contudo, Jhony Bezerra, ao afirmar que 'lealdade não é submissão', indicou publicamente seu distanciamento do governo, alimentando ainda mais o debate sobre seu futuro partidário.
A situação gerou reações entre outras figuras políticas: o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) revelou estar engajado em manter o diálogo para prevenir desgastes, mesmo após a exoneração de aliados de Jhony. O presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), deputado Adriano Galdino (Republicanos), expressou lamento pela conjuntura, enfatizando que qualquer decisão sobre a composição da chapa majoritária demandará uma avaliação política mais abrangente.
Dentro do mesmo partido, outros membros expuseram suas posições: a secretária de Meio Ambiente, Rafaela Camaraense, confirmou ter recebido convites de outras legendas, mas reforçou seu compromisso com o PSB, com foco na ampliação da bancada federal. Lídia Moura, secretária da Mulher e da Diversidade Humana, detalhou que a nominata federal do partido contará com 13 pré-candidatos, destacando a qualidade do grupo.
Individualmente, alguns políticos do PSB deixaram suas decisões em aberto: o deputado estadual João Gonçalves postergou seu posicionamento para após o Carnaval. Já a secretária de Desenvolvimento Humano, Pollyanna Werton, admitiu ter sido convidada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para retornar ao Partido dos Trabalhadores (PT), mas reiterou seu engajamento com o projeto socialista na Paraíba. O vice-prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra, confirmou negociações com o PT, sem definir seu futuro. Tal movimento repercutiu, com o deputado estadual Hervázio Bezerra defendendo a permanência de Leo na gestão da capital, afirmando que o vice-prefeito 'tem luz própria'.
A Frente Oposicionista e os Convites do PL
No espectro da oposição, o presidente estadual do PSD e ex-deputado federal, Pedro Cunha Lima, declarou não haver vetos à adesão de Jhony Bezerra ao projeto político de Cícero Lucena, enxergando a construção de alianças como um processo natural. Cunha Lima também aproveitou para rebater críticas ao seu apoio a Cícero e para questionar a gestão da política educacional no estado, além de expressar sua aspiração de um dia disputar a Prefeitura de João Pessoa.
O senador Efraim Filho (União Brasil) confirmou ter recebido um convite do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para filiação, contudo, condicionou sua decisão à definição da federação partidária de seu atual partido. Ele também reagiu a declarações de Pedro Cunha Lima, lembrando a aliança estabelecida em 2022, indicando tensões passadas e presentes na oposição.
Ainda no âmbito do PL, o deputado federal Cabo Gilberto Silva revelou esforços para atrair Efraim Filho à legenda, enquanto o presidente estadual do partido, Marcelo Queiroga, ex-ministro da saúde, reforçou o convite e não descartou a possibilidade de alianças com o Republicanos, sinalizando uma busca por ampliar as bases da direita no estado.
Tensões nas Federações e Sinais de Ruptura Local
A senadora Daniella Ribeiro (PP) informou que a decisão sobre a federação entre PP e União Brasil está iminente, ao mesmo tempo em que negou qualquer interferência do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP) na atuação política do vice-governador Lucas Ribeiro. Em tom irônico, Efraim Filho comentou sobre os prazos reiteradamente anunciados pelas lideranças a respeito dessa federação, indicando ceticismo.
No desdobramento dessas tensões, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) quebrou seu silêncio, revelando ter acionado o setor jurídico em resposta a declarações de Daniella Ribeiro, elevando o nível do embate político para a esfera legal.
A semana também trouxe à tona rupturas em nível municipal: o vereador Fábio Carneiro (Solidariedade) detalhou um racha político envolvendo Cícero Lucena e Lucas Ribeiro, afirmando ter se afastado do grupo preventivamente para evitar maior desgaste. Outro sinal claro de mudança de lado foi a ausência de Ricardo Barbosa, presidente da Companhia Docas da Paraíba e ex-deputado estadual, em uma agenda do PSB com João Azevêdo, e sua subsequente aparição ao lado de Cícero Lucena em prévias carnavalescas, um gesto interpretado como um forte indicativo de realinhamento.
Em suma, a semana política na Paraíba foi um microcosmo das complexas dinâmicas pré-eleitorais. De movimentos estratégicos de aliança a declarações que expõem descontentamentos e realinhamentos, o cenário estadual permanece em constante mutação. Os fatos registrados entre 9 e 13 de fevereiro de 2026 desenham um panorama de incertezas e expectativas, onde cada decisão e cada gesto reverberam na construção das chapas e projetos que disputarão o futuro político do estado.
Fonte: https://fonte83.com.br