Atualmente, o presidente Lula (PT) se depara com a situação de 1º turno mais acirrada desde que começou sua trajetória eleitoral. Dados do Datafolha, coletados cerca de seis meses antes do pleito, revelam que a diferença entre o petista e seu principal opositor nunca foi tão pequena.
Em 2002, quando foi eleito pela primeira vez, Lula tinha uma vantagem de dez pontos percentuais sobre José Serra, seu concorrente. Na eleição seguinte, em 2006, ele estava 17 pontos à frente de Geraldo Alckmin. Já em 2022, o cenário era marcado pela polarização, com Lula registrando 48% das intenções de voto em maio, contra 27% de Jair Bolsonaro.
A pesquisa Datafolha divulgada recentemente mostra Lula com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com 35%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
O cientista político Elias Tavares destaca que esses dados simbolizam uma redução significativa na margem de liderança em comparação com eleições anteriores. Ele observa que o eleitorado está mais dividido, criando um ambiente competitivo para Lula, que não conseguiu implementar grandes programas que o reconectassem com a população.
Bruno Bolognesi, também cientista político, aponta que a polarização contribui para um cenário mais imprevisível, onde o voto útil pode ser um fator decisivo. Lula e Flávio têm índices de rejeição semelhantes, com 48% e 46%, respectivamente.
Luis Gustavo Teixeira, doutor em ciência política, observa que o cenário atual reflete um governo desgastado e a dificuldade de Lula em articular uma base eleitoral mais ampla. No entanto, ele acredita que ainda há espaço para movimentação ao longo da campanha.
Antonio Lavareda, cientista político, alerta que Lula pode ser ultrapassado caso a economia piore ou surjam novos escândalos. Ele ressalta que o petista precisa de uma margem de segurança para o segundo turno, devido à concentração de seus votos entre os eleitores menos favorecidos.
Luciana Chong, diretora do Datafolha, destaca que a comparação entre as pesquisas indica que Lula possui uma vantagem menor, mesmo sem a divisão de votos com outros candidatos da esquerda. Ela observa que a dispersão está mais presente entre os candidatos da direita.
A pesquisa Datafolha foi realizada com 2.004 pessoas em 137 cidades, entre os dias 7 e 9 de abril de 2026, e está registrada no TSE com o código BR-03770/2026.