Em um momento de crescente atenção pública sobre o comportamento dos ministros do STF, especialmente em relação ao caso do Banco Master, a ministra Cármen Lúcia reconheceu a tensão que permeia a corte. Durante uma palestra na Fundação FHC, em São Paulo, ela afirmou que, embora não represente o Supremo como um todo, pode garantir que sua atuação está dentro da legalidade. 'Da minha parte, digo: podem dormir tranquilos. Não há uma linha minha que esteja fora da lei', declarou.
Cármen Lúcia observou que o Brasil enfrenta um clima de desconfiança generalizada, o que contribui para a crise do tribunal. Ela ressaltou a importância de o STF demonstrar ao público que está ali para servir e enfatizou a necessidade de transparência nas ações dos ministros fora de Brasília.
A ministra também criticou a quantidade de processos que chegam ao Supremo, mencionando que a corte é sobrecarregada. Ela descreveu o atual cenário como uma 'agudização de algumas crises' que precisam ser abordadas, além de reconhecer que a corte enfrenta um momento de 'questionamento'.
Cármen Lúcia citou as mudanças tecnológicas, como as redes sociais, como fatores que dificultam a resposta dos juízes a problemas inéditos, aumentando os desafios enfrentados pelo tribunal. Ela ainda comentou sobre as dificuldades de ser presidente do STF, afirmando que questões simples já teriam sido resolvidas. 'Sei o que é estar na presidência tentando acertar. Não é simples. Não tem facilidade nenhuma', disse.
A ministra revelou que recebe 'críticas ácidas' e, em momentos difíceis, se lembra de que 'faz direito, não milagres'.
O STF, conforme reportado, enfrenta divisões internas, com um grupo de ministros formando uma aliança para contrabalançar a agenda do presidente Edson Fachin, em meio às repercussões do caso Master. Cármen Lúcia, Fachin, André Mendonça e Luiz Fux compõem um núcleo oposto, enquanto Kassio Nunes Marques atua como um intermediário entre os dois grupos.
Tensões também foram observadas entre Cármen Lúcia e Flávio Dino durante a sessão que discutiu a escolha do novo governador do Rio de Janeiro.