A ministra Cármen Lúcia, em uma sessão do Supremo Tribunal Federal, expressou sua profunda consternação em relação à crise que afeta a Corte. Ela destacou que o tribunal, como guardião da Constituição, tem gerado um clima de mal-estar entre os cidadãos brasileiros.
Cármen Lúcia, ao se dirigir aos colegas, mencionou que não costuma antecipar votos, mas sentiu a necessidade de compartilhar sua tristeza.
Estou triste não apenas pelo tema que nos traz aqui, mas porque este Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição, provocou um mal-estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos brasileiros nos últimos dias — afirmou.
Além disso, a ministra fez um pedido de desculpas ao povo brasileiro, expressando seu desejo de ter contribuído para a resolução dos conflitos.
Peço desculpa ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente. Todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que era tentar resolver, e as questões não foram resolvidas e foram crescendo demais — disse.
A declaração de Cármen Lúcia ocorreu em um momento de reviravolta na sessão, quando o ministro Flávio Dino alterou seu voto e pediu vista, suspendendo o julgamento em andamento. Antes disso, a sessão já havia registrado uma questão de ordem levantada por Gilmar Mendes e o voto de Edson Fachin pela manutenção da separação dos casos.
O Plenário do STF analisaria o caso das 52 mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, enquanto as acusações feitas por Moraes contra André Mendonça foram agendadas para o dia 23 de setembro.
A crise no Supremo teve início em setembro de 2026, quando André Mendonça decidiu levantar o sigilo de relatórios da Polícia Federal, que revelaram encontros entre Vorcaro e Moraes. A situação se intensificou com um confronto entre os ministros, onde Moraes acusou Mendonça de liberar informações de forma seletiva, o que foi negado por Mendonça.
Recentemente, a Polícia Federal entregou cópias do conteúdo do celular de Vorcaro, e a Procuradoria Geral da República se manifestou a favor do acesso ampliado. Edson Fachin decidiu separar os processos, que incluem discussões sobre mensagens entre Vorcaro e Moraes e um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes.
Fonte: Polemicaparaiba