Uma capivara que foi brutalmente espancada por um grupo de homens na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, foi solta em uma área de reserva ambiental após receber tratamento veterinário por quase dois meses. O animal, que apresentava traumatismo craniano e lesões oculares, foi liberado em um local considerado seguro para sua recuperação.
O caso ganhou notoriedade nacional após a divulgação de imagens que mostravam o ataque ao animal, que ocorreu na madrugada de 21 de março. Durante a agressão, os autores filmaram a cena, zombando do sofrimento da capivara. O Ministério Público do Rio denunciou seis homens pelos crimes de maus-tratos, caça ilegal, associação criminosa e corrupção de menores, já que dois adolescentes estavam envolvidos.
A capivara, um macho adulto pesando cerca de 64 quilos, foi resgatada pela Patrulha Ambiental em estado grave e levada para a Clínica de Reabilitação de Animais Silvestres da Universidade Estácio. Os exames revelaram traumatismo craniano, ferimentos e problemas oculares, incluindo catarata e uma lesão na retina do olho esquerdo.
De acordo com o veterinário Jeferson Pires, a deficiência visual do animal impossibilitou seu retorno ao habitat original devido ao risco de atropelamento. A nova área de soltura foi escolhida por ter acesso restrito e condições ambientais favoráveis, minimizando conflitos com outros animais.
O caso também foi significativo por marcar a primeira aplicação do decreto federal 'Justiça por Orelha', que aumentou as multas por maus-tratos a animais. O Ibama multou os envolvidos em R$ 20 mil cada, totalizando R$ 160 mil.
A legislação brasileira prevê penalidades severas para crimes contra animais silvestres, incluindo detenção e multas. A prefeitura recomenda que a população acione a Central 1746 em casos de maus-tratos ou animais em risco.