O câncer colorretal, tradicionalmente associado a pessoas com mais de 50 anos, está se tornando cada vez mais comum entre adultos jovens, ou seja, aqueles com menos de 50 anos. Essa tendência é preocupante, especialmente devido às dificuldades no diagnóstico precoce, uma vez que a doença não apresenta sinais claros em suas fases iniciais.
O oncologista Paulo Hoff, presidente da Oncologia D’Or, destacou que esse aumento não é uma realidade restrita ao Brasil, mas sim um fenômeno global.
Observa-se claramente um aumento no percentual de pacientes que se apresentam com a doença antes dos 50 anos, algo que antes era relativamente raro e está se tornando mais comum — afirmou durante uma coletiva de imprensa na 11ª edição do Congresso Internacional Oncologia D’Or.
A detecção precoce do câncer colorretal é fundamental e pode ser realizada através de exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos ou radiológicos em pessoas que apresentem sinais e sintomas sugestivos. Os principais sinais incluem sangue nas fezes, alterações no hábito intestinal, dor abdominal e perda de peso inexplicada.
Fatores como sedentarismo, obesidade e consumo excessivo de alimentos ultraprocessados têm sido associados ao aumento de casos entre jovens. Hoff também mencionou a importância da microbiota intestinal, ressaltando que certas bactérias estão se tornando mais comuns e podem estar ligadas ao aumento do risco de câncer.
Com a crescente incidência da doença em jovens, a recomendação para rastreio por colonoscopia foi reduzida de 50 para 45 anos. Contudo, a falta de estrutura e profissionais no Brasil para realizar esses exames é um desafio. Hoff sugere o uso do teste de sangue oculto nas fezes como uma alternativa eficaz e de baixo custo, recomendando que seja feito anualmente a partir dos 45 anos.
Para indivíduos com fatores de risco adicionais, como histórico familiar de câncer colorretal, o rastreio deve ser iniciado antes dos 45 anos, seguindo orientações específicas de profissionais da saúde.