Durante uma entrevista ao programa Olho Vivo, o meteorologista Mario Miranda Leitão revelou que 1924 detém o recorde de chuvas no Sertão da Paraíba. Esse fenômeno climático é influenciado pela atuação do La Niña e pelo aquecimento das águas do Oceano Atlântico na costa nordestina.
Leitão explicou que o aquecimento do Atlântico provoca um aumento na evaporação, resultando em um ar mais úmido e, consequentemente, em chuvas mais intensas, mesmo em anos de El Niño moderado. Embora o El Niño geralmente reduza as chuvas na região, o aquecimento do Atlântico pode mitigar esse efeito.
Em 1924, os volumes de chuva no semiárido foram significativamente superiores à média. Em Cajazeiras, foram cerca de 1.800 milímetros, quase o dobro da média anual de 900 mm. Outras cidades também apresentaram índices notáveis: Patos com aproximadamente 2.400 mm, em comparação à média de 755 mm, e Monteiro com cerca de 2.600 mm, enquanto a média é de 600 mm.
Além disso, algumas áreas do Ceará, cuja média anual é de cerca de 700 mm, registraram quase 3.000 mm no mesmo período. Na época, a Sudene questionou a veracidade desses dados, devido à falta de estudos e instrumentos meteorológicos adequados.
Leitão também destacou que a meteorologia no Brasil começou a se estruturar de maneira mais eficaz a partir da década de 1960, com Campina Grande sendo pioneira na formação de cursos na área, iniciando em 1974. Ele concluiu afirmando que a Paraíba é um dos estados mais avançados em meteorologia no Brasil.