Um teste realizado pela Anistia Internacional Brasil identificou falhas significativas do Facebook na filtragem de anúncios que contêm desinformação eleitoral. A análise foi divulgada pela ONG, a 40 dias do primeiro turno das eleições gerais no Brasil.
A pesquisa envolveu 15 anúncios pagos, todos em português e direcionados a eleitores brasileiros a partir de 16 anos. Desses, 14 continham desinformação eleitoral, enquanto apenas um era considerado neutro. Os ativistas definem desinformação como a utilização de "informação falsa, de caráter deliberado".
Os anúncios analisados seguiram três estratégias principais: deslegitimação eleitoral, construção do inimigo e autoritarismo com foco na segurança. Um exemplo de conteúdo problemático afirmava:
precisamos de uma revolução militar, não vote nas eleições, e os militares retomarão o poder se menos de 50% votarem!
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A Anistia Internacional destacou que sete dos anúncios continham alegações enganosas sobre candidatos e instituições eleitorais, enquanto outros sete apresentavam informações falsas que poderiam prejudicar a capacidade de votação das pessoas. Todos os anúncios foram programados para veiculação futura, permitindo que a ONG os cancelasse antes da publicação.
O levantamento revelou que oito anúncios foram aprovados para publicação, enquanto sete foram rejeitados, incluindo um neutro. A justificativa para a recusa não foi relacionada ao conteúdo, mas sim a questões de verificação de identidade da conta.
A diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, expressou preocupação com o fato de que o sistema de moderação da Meta não tenha detectado mais da metade dos anúncios com desinformação eleitoral. Ela afirmou que isso indica que a Meta não está fazendo o suficiente para impedir que sua plataforma seja um vetor de desinformação.
Além disso, a ONG ressaltou que os anúncios foram enviados de Londres, levantando preocupações sobre a possibilidade de campanhas de desinformação por atores nacionais ou estrangeiros. O pesquisador Ummar Bashir afirmou que a investigação sugere que os sistemas de moderação do Facebook podem não estar identificando de forma confiável conteúdos de desinformação eleitoral.
Em resposta, a Meta afirmou que o relatório da Anistia se baseia em uma amostra pequena de anúncios que nunca foram publicados. A empresa destacou que seu processo de análise de anúncios possui diversas camadas de detecção e que investe recursos significativos para proteger o processo eleitoral no Brasil.
A regulamentação eleitoral no Brasil, estabelecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), exige que provedores de internet adotem medidas para impedir a circulação de informações falsas que possam comprometer a integridade do processo eleitoral.
Fonte: Paraibaonline