André Coutinho, ex-prefeito de Cabedelo, abordou a investigação do Ministério Público da Paraíba (MPPB) em relação ao prefeito afastado Edvaldo Neto. A apuração investiga a suposta utilização de recursos públicos da Câmara Municipal para influenciar o julgamento da ação que resultou na cassação de seu mandato.
Durante uma entrevista ao programa Correio Debate, Coutinho questionou a conduta de Neto enquanto presidia a Câmara. Ele mencionou vídeos que fazem parte da investigação, destacando uma ligação que sugere uma tentativa de manipulação do resultado. "A cidade quer saber", afirmou.
Coutinho também criticou os gastos relacionados a uma viagem a Brasília, que foi financiada com recursos públicos sob a justificativa de "agenda institucional
. Ele expressou a necessidade de transparência sobre os custos envolvidos, afirmando que
Cabedelo quer saber qual o preço de dois rins à metade de uma prefeitura".
As investigações, conduzidas pela 4ª Promotoria de Justiça de Cabedelo, surgiram a partir de denúncias sobre a viagem e a subsequente divulgação de vídeos que indicam possíveis tratativas sobre o julgamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que levou à cassação de Coutinho.
O MPPB também investiga o uso de passagens aéreas e diárias que ultrapassam R$ 7 mil, o que pode indicar desvio de finalidade na aplicação de recursos públicos. Além de Edvaldo Neto, outros envolvidos na investigação incluem Fernando Sobrinho e Diego Carvalho.
Na mesma entrevista, Coutinho revelou ter denunciado ameaças que ele e seus familiares têm recebido. Ele mencionou episódios de pessoas que afirmaram conhecer detalhes da vida de sua família e relatou ter notado veículos suspeitos seguindo-o na cidade.
A crise política em Cabedelo se agravou após a cassação de Coutinho e da vice-prefeita Camila Holanda pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). A decisão foi baseada em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral que apontou abuso de poder e captação ilícita de votos nas eleições de 2024.
As investigações revelaram a suposta distribuição de cestas básicas e promessas de emprego em troca de votos, com parte das provas coletadas durante operações da Polícia Federal. Em novembro de 2025, o TRE-PB confirmou a cassação dos mandatos de Coutinho e Holanda, além de declarar o ex-prefeito Vitor Hugo inelegível por oito anos.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou um pedido da defesa de Coutinho para suspender a decisão do TRE-PB, afirmando que a reclamação não era o meio adequado para contestar as questões processuais levantadas.