Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e pela consultoria CommonData, com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revelou que, até 16 de agosto, 10.191 candidatos se autodeclararam pretos ou pardos entre os 20.448 nomes válidos registrados.
Dentre os candidatos, 2.789 são pretos, representando 13,6% do total, enquanto 7.402 se identificam como pardos, correspondendo a 36,2%. Na população geral, os pretos representam 10,2% e os pardos, 45,3%. Em comparação a 2022, quando a pesquisa foi realizada pela primeira vez, as candidaturas de pessoas negras eram 35,5%.
A pesquisa também observou mudanças na autoidentificação, com 338 candidatos alterando sua classificação para pardo e seis para preto. A migração de brancos para o grupo de pessoas negras foi de 11,2% na direita, 11,6% no centro e 11,7% na esquerda.
Carmela Zigoni, assessora do Inesc, destacou que os candidatos podem estar buscando ampliar suas plataformas em questões raciais, que historicamente têm mais presença na esquerda, para atrair eleitores negros e interessados nesses temas.
Entretanto, a situação de recursos para esses candidatos se deteriorou, uma vez que o TSE alterou a norma de distribuição proporcional das cotas. Anteriormente, um partido com 50% de candidaturas negras deveria repassar 50% dos recursos, mas agora esse percentual foi reduzido para 30%.
A Emenda Constitucional nº 133, de 2024, modificou a distribuição de recursos para essas candidaturas, levando Carmela a enfatizar a importância de analisar a presença nas listas partidárias em conjunto com o acesso a financiamento, estrutura de campanha e tempo de propaganda.
Ela também ressaltou a necessidade de bancas de heteroidentificação para prevenir fraudes nas cotas raciais.
Os dados parciais indicam que, embora haja um aumento na participação feminina, esse crescimento não é proporcional. Os homens brancos continuam a ser o maior grupo, com 6.688 candidaturas (32,7%), seguidos por homens pardos (4.917, ou 24,1%) e mulheres brancas (3.271, ou 16%).
As mulheres pretas somam 1.234 candidaturas, representando 6% do total, enquanto os homens pretos são 1.555, ou 7,6%. A participação feminina cresceu apenas 1%, e a de mulheres negras avançou apenas 0,5%. Entre as 7.116 mulheres candidatas, 3.719 (52,2%) são negras.
As mulheres negras representam 18,2% de todas as candidaturas, um leve aumento em relação aos 17,3% de 2022. Por outro lado, a participação dos homens negros caiu de 32,3% para 31,7%.
Carmela Zigoni observou que o perfil geral das candidaturas mostra avanços modestos em termos de representatividade, com um aumento de apenas 1,5% no número de mulheres concorrendo e um crescimento de 0,5% entre as mulheres negras.
O levantamento também registrou 191 candidaturas de pessoas autodeclaradas indígenas, representando 0,9% do total, um aumento em relação a 2022, que teve 172 candidaturas (0,6%). Entre as candidaturas indígenas de 2026, 84 são de mulheres.
As candidaturas quilombolas somam 212, ou 1% do total, com uma distribuição de gênero quase equilibrada: 110 homens (51,9%) e 102 mulheres (48,1%). O grupo é majoritariamente negro, com 140 pessoas pretas (66%) e 43 pardas (20,3%).
Fonte: Paraibaonline