Uma pesquisa realizada pelo Datafolha, encomendada pela farmacêutica Eli Lilly, revelou que o Alzheimer ocupa a segunda posição entre as doenças mais temidas pelos brasileiros, ficando atrás apenas do câncer. O estudo, divulgado nesta segunda-feira, também indicou que 4 em cada 10 brasileiros conhecem alguém diagnosticado com a doença.
A pesquisa, que ouviu 2.002 pessoas com mais de 16 anos em dezembro do ano passado, mostrou que 75% dos entrevistados consideram o câncer como o maior temor, enquanto 13% mencionaram o Alzheimer. A Aids foi citada por 9% e o Parkinson por apenas 1%.
Especialistas apontam que o medo do Alzheimer está relacionado ao desconhecimento sobre a doença. A geriatra Celene Pinheiro, presidente da Abraz, destacou que o estigma em torno da demência pode levar as pessoas a evitarem buscar diagnóstico e tratamento. Ela afirma:
O medo da doença faz com que muitos evitem procurar ajuda. Sempre que há mudanças cognitivas é preciso investigar.
A geriatra Claudia Suemoto, da USP, expressou surpresa ao ver que o Alzheimer é uma preocupação significativa em um grupo relativamente jovem, com média de idade de 44 anos. Ela observou que, embora a maioria dos entrevistados não esteja em risco imediato, o Alzheimer é uma das principais preocupações de saúde.
Com o aumento da população idosa, Suemoto ressaltou que mais pessoas convivem com diagnósticos de demência. A pesquisa revelou que 41% dos entrevistados conhecem alguém que recebeu o diagnóstico de Alzheimer.
Quando questionados sobre a importância do diagnóstico precoce para o sucesso do tratamento, 84% mencionaram o câncer, enquanto apenas 4% citaram o Alzheimer. Apesar de 99% concordarem sobre a importância de procurar um médico ao notar os primeiros sinais da doença, 60% admitiram que há um longo período entre os primeiros sintomas e a busca por ajuda.
Celene Pinheiro enfatizou que a percepção pública sobre o Alzheimer está frequentemente ligada às fases mais avançadas da doença. Ela destacou que o acompanhamento precoce pode melhorar os resultados, afirmando que
a doença de Alzheimer não tem cura, mas tem tratamento, e quanto mais cedo ele começa, melhores são os resultados.
Um dos principais desafios no Brasil é o número elevado de casos não diagnosticados. Dados do Renade indicam que cerca de 80% dos casos de demência no país não são identificados. Suemoto observou que o diagnóstico muitas vezes ocorre apenas em fases avançadas, quando os sintomas já são evidentes.
A taxa de subdiagnóstico no Brasil é superior à da Europa e América do Norte, aproximando-se de índices observados em países asiáticos. A demência, que inclui o Alzheimer, é caracterizada por déficits cognitivos que afetam a memória e a execução de tarefas, interferindo na vida cotidiana.
A geriatra alertou que é comum que familiares e profissionais de saúde minimizem os sinais de demência em idosos. Ela recomenda que qualquer mudança que afete a autonomia deve ser investigada, independentemente da idade do paciente.
A orientação é procurar avaliação médica ao notar alterações cognitivas, pois essas podem ser causadas por outras condições, como depressão ou deficiências nutricionais.