A saúde do intestino é influenciada diretamente pelo que consumimos diariamente. Estudos recentes indicam que o consumo elevado de alimentos ultraprocessados está ligado ao aumento do risco de doenças inflamatórias intestinais, enquanto uma dieta rica em fibras pode oferecer proteção ao organismo. No Brasil, a prevalência das Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) tem aumentado anualmente em cerca de 15%, com a Doença de Crohn apresentando crescimento semelhante. Dados recentes sugerem que o consumo de ultraprocessados pode elevar em até 86% o risco de desenvolver essas condições.
Os ultraprocessados não apenas empobrecem a diversidade da microbiota intestinal, mas também podem causar disbiose, resultando na diminuição de bactérias benéficas e no aumento das patogênicas, favorecendo um ambiente inflamatório. A nutricionista Ana Paula Dias Leite destaca esses riscos e sugere que mudanças simples na alimentação podem ser eficazes.
O nutricionista Diego Righi, professor de Nutrição, enfatiza que a saúde intestinal não depende de alimentos caros, mas sim de uma dieta regular, variada em plantas, boa hidratação e menor consumo de ultraprocessados. Alguns alimentos comuns na dieta brasileira são especialmente ricos em fibras e ajudam a manter o equilíbrio da microbiota intestinal.
- Feijão: Fonte de fibra e parte essencial da alimentação.
- Aveia: Fácil de incluir no café da manhã, uma colher já ajuda.
- Frutas com casca ou bagaço: Como banana e laranja, são benéficas.
- Legumes e verduras: Importantes para fornecer fibras e nutrientes.
- Leguminosas: Alternar lentilha e grão-de-bico com feijão.
- Mandioca e batata-doce: Fontes de fibras que podem substituir carboidratos.
- Linhaça e chia: Pequenas quantidades são eficazes.
- Iogurte natural ou kefir: Oferecem probióticos que equilibram a microbiota.
A introdução de fibras na dieta deve ser gradual para evitar desconfortos. Righi recomenda que mudanças sejam feitas de forma simples, como adicionar uma fruta a mais por dia ou incluir aveia no café da manhã. A hidratação adequada e a mastigação correta também são fundamentais, pois a falta de água pode causar gases e inchaço.
Um erro comum é buscar soluções isoladas sem alterar a base da alimentação. Righi alerta que tentar resolver problemas intestinais com produtos isolados, enquanto a dieta continua pobre em fibras e água, não é eficaz. Além disso, cortar alimentos sem orientação pode empobrecer a dieta e dificultar a recuperação.
Para aqueles com doenças como Crohn ou retocolite ulcerativa, a alimentação deve ser ajustada individualmente, levando em conta o estágio da doença e a tolerância de cada pessoa. A recomendação geral é manter uma rotina alimentar equilibrada, incluindo uma fonte de fibra em todas as refeições principais, o que já é um bom começo.