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Incêndios em vegetação na Paraíba superam 2,5 mil ocorrências

A Paraíba registrou 2.506 incêndios em vegetação entre janeiro e outubro, com aumento significativo em relação ao ano anterior.
Incêndios em vegetação na Paraíba superam 2,5 mil ocorrências
Foto: A União

A Paraíba registrou, de 1º de janeiro a 15 de outubro, 2.506 ocorrências de incêndios em vegetação atendidas pelo Comando de Bombeiros Militar (CBMPB). Quase metade dos casos (1.218) ocorreu no Sertão paraibano. Os dados são do Boletim do Fogo, levantamento feito pelo grupamento em parceria com o Núcleo de Estudos Especializados em Prevenção e Combate ao Incêndio Florestal (Nepcif).

Os números de 2026 indicam um aumento nos incêndios em vegetação. De janeiro a setembro deste ano, foram registrados 1.934 atendimentos, contra 1.570 no mesmo período de 2025, representando um crescimento de aproximadamente 23,2%.

Esse aumento exige atenção, especialmente durante o período mais crítico de estiagem, quando as condições climáticas favorecem a propagação do fogo. O Sertão continua sendo uma das regiões mais vulneráveis, em razão das características do clima semiárido, da vegetação da Caatinga e da utilização do fogo em determinadas atividades humanas

, alerta o coronel Saulo Alves Laurentino, comandante do 3º CBMPB e presidente do Nepcif.

O Corpo de Bombeiros mantém o acompanhamento das ocorrências e desenvolve ações preventivas e operacionais por meio da Operação Queimadas, com emprego de equipes especializadas, monitoramento das áreas de maior risco e atuação integrada com outros órgãos federais, estaduais e municipais.

O monitoramento do território estadual, feito pela corporação, utiliza dados do satélite de referência Aqua M-T, equipado com sensor Modis, mesma tecnologia usada pelo Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Esse acompanhamento é responsável por detectar focos de calor. Em 2025, foram registrados 1.061 focos. Até 15 de outubro deste ano, apenas 334 pontos haviam sido analisados.

É importante esclarecer que os focos de calor não correspondem necessariamente ao número de incêndios. A detecção por satélite pode identificar, por exemplo, uma queima controlada ou um foco de fogo em vegetação que não tenha gerado acionamento do Corpo de Bombeiros. Da mesma forma, um incêndio de maiores proporções pode resultar na identificação de vários focos de calor — explicou o coronel.

De acordo com o CBMPB, a grande maioria dos incêndios em vegetação na Paraíba está associada à ação humana, seja de maneira acidental, seja intencional. Entre as principais situações, estão o uso do fogo para limpeza de terrenos e pastagens, a queima de resíduos, as queimadas agrícolas e os incêndios provocados de forma criminosa.

Não é possível atribuir uma causa específica a todas as ocorrências apenas com base nos registros de atendimento

, observa Laurentino.

As condições climáticas desempenham um papel importante nesse cenário. A estiagem prolongada, as temperaturas elevadas e a baixa umidade relativa do ar contribuem para o ressecamento da vegetação, tornando-a mais suscetível à combustão e favorecendo a rápida propagação das chamas.

O Boletim do Fogo mostra que, na estação de referência de Patos, não houve registro de chuvas nos meses de agosto e setembro, até o período analisado de outubro. Nesse último mês, a média das temperaturas máximas registradas chegou a 40,1 oC. Outro fator que merece atenção é a influência do fenômeno climático El Niño, que tem atuado de forma mais intensa neste ano.

Um relatório da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), divulgado em março, indicou que 100% do território da Paraíba estava inserido na área de seca. Em setembro, o percentual caiu para 90%, o que equivale a uma área de 51.198 km2, sendo, desse total, 33% com o retorno da seca severa.

Embora a maioria dos incêndios esteja relacionada à intervenção humana, as condições de seca e calor intensificam os riscos e podem transformar pequenos focos em incêndios de maiores proporções

, ponderou o comandante.

A principal orientação aos produtores rurais é não utilizar o fogo para a limpeza de terrenos, preparação de áreas agrícolas ou renovação de pastagens, especialmente durante o período de estiagem. Segundo o coronel Saulo Laurentino,

uma queimada que inicialmente parece controlada pode se espalhar rapidamente, atingindo propriedades vizinhas, áreas de vegetação nativa e plantações, comprometendo a fauna e a flora locais, além de colocar em risco residências e vidas humanas

.

Orienta-se também evitar a queima de lixo e de restos de vegetação, além de não descartar materiais que possam favorecer o início de incêndios, especialmente em locais com vegetação seca.

Ao identificar um princípio de incêndio, a orientação é acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba, pelo telefone 193, evitando tentar combater as chamas sem condições adequadas de segurança

, finalizou o comandante.

Fonte: A União

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