Por Petson Santos – Esta semana, a voz de Arnaldo Lima, conhecido como “Garganta de Aço”, se silenciou, mas seu famoso grito de gol permanecerá em nossas memórias. Tive a honra de trabalhar com ele entre 2012 e 2015, e foi através dele que retornei à Rádio Alto Piranhas, onde já havia trabalhado entre 1994 e 1997, quando iniciei minha carreira no rádio.
Após deixar a Rádio Oeste da Paraíba, recebi um recado de que o professor José Antônio queria falar comigo. Naquela época, Arnaldo era quem indicava as contratações da emissora, e o aval de Zé Antônio costumava vir logo em seguida. Fui chamado e acabei assumindo a direção de jornalismo e contribuindo no esporte. No jornalismo, apresentei o programa Rádio Vivo ao lado de Alberto Dias e Saul Soares, enquanto no esporte, fazia a abertura da jornada esportiva, inspirado nas rádios Globo e Tupi, referências para quem faz rádio.
Transformamos o pré-jogo em uma verdadeira festa, distribuindo brindes aos ouvintes e trazendo informações exclusivas da nossa equipe, com Arnaldo sendo o maior entusiasta dessa inovação. Embora ocasionalmente discordássemos, sempre nos entendíamos, pois tudo era em prol da audiência. Lembro que sugeri a Arnaldo que precisávamos de Zé Neto no controle de áudio, pois ele apoiava minhas ideias e deixava a transmissão mais estilizada. Arnaldo aceitou e conversou com o professor José Antônio, e assim foi feito.
Outra ideia inovadora foi juntar Saul Soares e Edmundo Amaro na reportagem de campo, o que foi um sucesso. Saul sempre teve um estilo jovial e dinâmico, atraindo o público jovem. Nos comentários, Reudismar Lopes e Joselito Feitosa eram referências, além do próprio Arnaldo, que se destacava na narração.
Uma revolução que promovemos foi a transmissão de todos os jogos com som de estúdio. Antes, as partidas fora de Cajazeiras dependiam de som de linha, comprometendo a qualidade. Nossa equipe, chamada A Dona da Bola, foi pioneira em transmitir partidas com som de estúdio de fora da cidade, utilizando um sistema 100% digital.
Outra inovação que construímos juntos foi a transmissão simultânea dos jogos em áudio e vídeo, dando início às transmissões esportivas pela TV Diário do Sertão. Arnaldo Lima era excepcional, inquieto como eu, e abraçava minhas ideias, colocando-as em prática.
Certa vez, transmitimos uma partida da arquibancada do Estádio Amigão, em Campina Grande, devido a reformas que impediram o uso da cabine. Para nossa equipe, não havia tempo ruim; o importante era levar a informação ao torcedor. Naquela ocasião, nosso cinegrafista e motorista era Claudiano, um fiel escudeiro.
Com os resultados positivos, o professor José Antônio investiu na emissora, adquirindo um transmissor novo de 5 mil watts e equipamentos modernos para o futebol. Em pouco tempo, as pesquisas mostraram a rádio em primeiro lugar absoluto, tanto no esporte quanto no jornalismo. A Rádio Alto Piranhas é um patrimônio de Cajazeiras e da nossa região.
Lamento profundamente a partida do meu companheiro, que, nos últimos anos, já não nos reconhecia devido ao Alzheimer, mas tenho certeza de que agora, do céu, ele continua intercedendo por nós.
Lamento também a perda de Jota Tibério, que nos deixou recentemente. Tibério começou como operador de transmissor da Rádio Alto Piranhas e, com dedicação, evoluiu até comandar o programa Dimensão Total. Ele enfrentou complicações após uma cirurgia e faleceu. Deixo minhas condolências às famílias de Arnaldo Lima e Jota Tibério, dois profissionais marcantes cujas histórias se entrelaçam com a história da Rádio Alto Piranhas.
Fonte: Diário do Sertão