O eleitorado brasileiro volta às urnas, hoje, para uma decisão dramática sobre o futuro do país, no segundo turno das eleições para presidente da República entre o petista Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição e um quarto mandato, e o senador Flávio Nantes Bolsonaro, do PL, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ungido por este para ser “o vingador”, protagonizando suposta revanche diante da derrota do pai para Lula em 2022. Lula disputa a presidência pela sétima vez, concorrendo pela Federação Brasil Esperança, de esquerda; Flávio disputa o posto pela primeira vez. No caso de Lula, ninguém concorreu a tantas eleições presidenciais desde o fim da República Velha (1889-1930). Em 2022, bateu outro recorde: foi o primeiro brasileiro a ser eleito presidente da República três vezes.
A maioria dos analistas políticos concorda que o eleitor decidirá entre a continuidade do avanço democrático, simbolizado por Lula, e a perspectiva do retrocesso, encarnada por Flávio, representante da extrema-direita, comprometida com a manutenção de seus privilégios e inimiga das conquistas sociais que melhoraram a vida do povo brasileiro por meio da inclusão de segmentos que estavam completamente à margem do processo de desenvolvimento. Mais de 158 milhões de eleitores aptos a votar escolherão seu quadragésimo presidente em uma eleição que pode ser a mais apertada da história e que, no segundo turno, ganhou as ruas e invadiu as redes sociais, com uma mobilização inédita nos últimos tempos. As pesquisas Quaest e Datafolha, divulgadas ontem, apontam o senador Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos contra 49% de Lula – no primeiro turno, o parlamentar carioca avançou com 47% ante 45% do petista. Mas há margem para reviravoltas e, nas vésperas da decisão, Lula liderou manifestações grandiosas em centros decisivos como Rio de Janeiro e São Paulo.
Flávio e Lula disputam, neste domingo, cerca de 49 milhões de votos, considerando 9,3 milhões de eleitores que votaram nos outros candidatos do primeiro turno e 33,4 milhões que não foram votar, provocando uma abstenção recorde de 21,07%. Com 45 anos, Flávio é o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por envolvimento em tentativa de golpe de Estado. O candidato repetiu ao longo da campanha que, se eleito, concederá indulto ou graça presidencial a seu pai para que ele suba a rampa do Palácio do Planalto ao seu lado numa eventual posse, marcada para o dia 5 de janeiro de 2027, e, em sabatina, não descartou dar um cargo ao pai no governo. Desacreditado no início por algumas lideranças da própria direita e do Centrão, Flávio tornou-se o principal oponente de Lula procurando mostrar-se como um bolsonarista mais moderado do que o pai e os irmãos e apelando para um discurso de endurecimento da política de segurança pública, como redução da maioridade penal e castração química a estupradores. Explorou, em debates, os aumentos no custo de vida e no endividamento das famílias nos últimos anos.
Ao invés de uma biografia respeitável, Flávio exibe um prontuário desgastante, com acusações de envolvimento no escândalo do Banco Master e alvo de investigações em inquéritos da Polícia Federal que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Já Lula, aos 80 anos, explorou ao longo da campanha a experiência de três governos, indicadores positivos de emprego e um vasto pacote de bondades no período eleitoral, como define reportagem do UOL, referindo-se a reajuste no Bolsa Família, perdão de dívidas para microempresários e proibição das bets. Se vencer hoje, o petista cravará o quarto mandato presidencial, o que pode levá-lo a comandar o país por 16 anos. Ele ficaria atrás apenas de Getúlio Vargas, que acumulou 18 anos na Presidência da República.
Depois da frustração de virar o primeiro turno atrás de Flávio, resultado que contrariou a maior parte das pesquisas, a equipe de Lula engatou uma forte campanha digital, liderada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), criador do canal do WhatsApp “Exército do Lula”, com mais de dez milhões de seguidores, e mobilizou manifestações de rua em várias regiões do país. O alto engajado ajudou o petista a reduzir a diferença de Flávio nas pesquisas e alimentou a esperança de uma virada que seria inédita nas eleições presidenciais. Se conseguir o tetra, Lula será o mais velho a tomar posse . Sua primeira candidatura ao Planalto foi na primeira eleição direta após a ditadura militar – a disputa teve 22 inscritos e, de lá para cá, nenhuma outra eleição teve tantos postulantes à presidência da República. Lula foi para o segundo turno contra Fernando Collor de Mello (PRN), que saiu vitorioso, mas sofreu impeachment em meio a graves denúncias de corrupção traduzidas no “esquema PC Farias”. Lula virou presidente da República na quarta tentativa, em 2002, derrotando José Serra, do PSDB. Tem postura de estadista e uma reeleição sua teria reflexos na geopolítica da América Latina.
Fonte: Polemicaparaiba