Na fase final da campanha do segundo turno, a liderança da Assembleia de Deus, sob a influência do pastor José Wellington Bezerra da Costa, tem demonstrado apoio a Flávio Bolsonaro (PL).
O filho de José Wellington, Paulo Freire Costa, reeleito deputado pelo PL em São Paulo, divulgou um vídeo no qual expressa o apoio ao presidenciável, afirmando que "ele defende os nossos princípios".
No dia seguinte, a vereadora Rute Costa (PL-SP), outra filha de José Wellington, compartilhou uma foto em um ato de apoio a Bolsonaro na avenida Paulista. José Wellington Júnior, o primogênito, convocou os irmãos da igreja a orar pelo Brasil.
O apoio da família a um candidato contra Lula (PT) não é novidade. Em 1997, pastores já se manifestavam em favor da reeleição de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em um congresso liderado por José Wellington.
Em 2010, José Wellington gravou um depoimento para a campanha de José Serra (PSDB), que concorria contra Dilma Rousseff (PT). O pastor, em 2018, reconheceu a polarização política e orientou a não votar na esquerda.
Em 2022, José Wellington Júnior lamentou a tentativa de pastores de apoiar candidatos do PT, afirmando que "na nossa igreja não cabe, irmão". Em abril, José Wellington pai recebeu Flávio em sua igreja e orou por sua candidatura.
Embora tenha adotado um tom conciliador em um vídeo antes do primeiro turno, enfatizando o respeito entre as lideranças, a polarização se intensificou no segundo turno em favor de Flávio, uma tendência entre líderes evangélicos.
O bispo Samuel Ferreira, presidente da Conamad, também se alinhou ao bolsonarismo após se reaproximar de Lula. Ele recebeu Flávio em um evento e pregou que "irmão vota em irmão".
Samuel Ferreira, em 2026, contornou a lei eleitoral que proíbe pedidos de voto em igrejas, afirmando que defenderia Flávio se pudesse. Outros líderes regionais da Assembleia de Deus também se manifestaram contra a esquerda.
Apesar de líderes como Silas Malafaia e Cláudio Duarte terem grande influência nas redes sociais, a ascendência de José Wellington, que tem um perfil mais discreto, é notável entre as igrejas menores.
Malafaia destacou que muitos pastores estão se posicionando politicamente, ao contrário do que ocorria anteriormente. Ele mencionou a dificuldade de encontrar pastores influentes que não apoiem Flávio.
A Igreja Batista da Lagoinha, liderada por André Valadão, tem se mantido mais reservada em relação a questões políticas, especialmente após um escândalo envolvendo um ex-banqueiro.
A Igreja Universal do Reino de Deus, por sua vez, adotou uma postura neutra nesta eleição, orientando seus pastores a não apoiarem publicamente nenhum candidato, em um momento de investigações sobre um banco ligado à denominação.
O bispo Alessandro Paschoall, da Universal, afirmou que não levanta bandeiras políticas e que o cristão deve ser do "reino de Deus", em contraste com declarações anteriores de outros líderes da igreja.
Fonte: Paraibaonline