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Histórico das Disputas Presidenciais em Segundo Turno no Brasil

Desde a redemocratização, as eleições presidenciais brasileiras têm sido marcadas por disputas que ultrapassam a escolha de um candidato e colocam em confronto diferentes projetos políticos para o país. 2026 será a sé.....
Foto: Polêmica Paraíba

Desde a redemocratização, as eleições presidenciais brasileiras têm sido marcadas por disputas que ultrapassam a escolha de um candidato e colocam em confronto diferentes projetos políticos para o país.

2026 será a sétima vez que em que o novo comandante do país será escolhido no segundo turno.

De Fernando Collor de Mello a Luiz Inácio Lula da Silva, passando por Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro, as disputas presidenciais em segundo turno foram marcadas por campanhas que mobilizaram milhões de brasileiros e colocaram em jogo não apenas a continuidade ou a mudança de governos, mas também os interesses políticos que se articulavam em torno de cada candidatura.

Nessa matéria iremos relembrar as históricas batalhas, seus atores políticos, apoios, partidos e quão bonitas foram essas campanhas que ficaram para sempre gravadas na memória dos brasileiros.

Logo após a transição política vivida durante o governo José Sarney, o Brasil viveu um período de movimentação política que consolidou a retomada do regime democrático no país. Em 1989, após vinte e nove anos, a população brasileira escolheria o novo presidente da República através do voto direto.

Conforme estabelecido na Constituição de 1988, o sistema político do país se organizaria de forma pluripartidária. Com a vigência do sistema pluripartidário, as mais variadas correntes de orientação política se estabeleceram no cenário político da época.

Aquela eleição teve 22 candidatos, entre eles, líderes dos principais partidos: Ulysses Guimarães (MDB), Aureliano Chaves (PFL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Leonel Brizola (PDT), Mário Covas (PSDB), Paulo Maluf (PDS), Roberto Freire (PCB), Guilherme Afif Domingos (PL) e Ronaldo Caiado (PSD).

A novidade foi a candidatura do ex-governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello, que concorreu por um partido pequeno e quase desconhecido, o PRN (Partido da Reconstrução Nacional).

Atraindo apoio de diferentes setores da sociedade, Collor prometia modernizar a economia promovendo políticas de cunho neoliberal e a abertura da participação estrangeira na economia nacional. Ao mesmo tempo, fazia discursos de orientação religiosa, se autoproclamava um “caçador de marajás” e alertava sobre os perigos de um possível governo de esquerda.

No final de outubro, faltando apenas duas semanas para a eleição, ocorre o lançamento da candidatura do apresentador Sílvio Santos, do SBT, pelo PMB (Partido Municipalista Brasileiro). O PRN entrou com um recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e conseguiu que a candidatura fosse impugnada.

Uma semana depois da eleição, o TSE anunciou o resultado oficial do primeiro turno. Fernando Collor obteve 20,6 milhões de votos (30,48% do total) e Lula conseguiu 11,6 milhões de votos (17,19% do total).

Os dois, portanto, disputaram o segundo turno cerca de um mês depois. Mesmo com apoios de Mário Covas e Leonel Brizola, Lula não conseguiu tirar a vantagem, Collor foi eleito com 35.089.998 votos (53,03% dos votos válidos). Lula obteve 31.076.364 votos (46,97% dos válidos).

Em 1994 e 1998, a eleição se decidiu em primeiro turno. Nas duas disputas, ocorreu a vitória do sociólogo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), sobre Lula (PT).

A implementação e sucesso do Plano Real, foram primordiais para o êxito de Fernando Henrique em 1994, com a inflação caindo e o bom crescimento econômico do país, FHC ganhou muita popularidade, o que deixou Lula e a esquerda mais radical enfraquecidos no país.

Em 1997 FHC e sua base, conseguiram por em prática o projeto de reeleição, que beneficiou o Presidente e lhe deu a oportunidade de ganhar mais uma eleição em 1998.

Durante o segundo mandato, uma grave crise econômica acometeu o Brasil. Iniciando-se logo após as eleições de 1998 com uma crise cambial, ela resultou em queda na taxa de crescimento, desemprego e aumento da dívida pública.

Fernando Henrique enfrentou crises internacionais e uma crise energética que gerou o chamado “apagão elétrico”, com racionamento de energia, o que prejudicou a sucessão do Presidente.

Durante meses, foi travada uma intensa batalha nos bastidores para definir o candidato oficial do governo. No partido do então presidente, a disputa envolveu o ex-governador do Ceará, Tasso Jereissati, e o então ministro da Saúde, José Serra, sendo que este último prevaleceu na disputa.

Após três tentativas frustradas, o PT lançou Lula mais uma vez à presidência. Ao contrário das outras eleições, o PT se coligou com partidos mais conservadores, como o PL e o Partido da Mobilização Nacional (PMN). Também obteve o apoio de grupos ligados a outros partidos conservadores, como o PP, o PTB e parte do PMDB.

Assim como na eleição anterior, o Partido Popular Socialista (atual Cidadania) lançou à presidência Ciro Gomes, ex-governador do Ceará, que já havia passado por PDS (atual Progressistas), PMDB e PSDB durante sua trajetória política.

Ciro que já havia sido prefeito, governador e ministro da fazenda no governo Itamar Franco, ganhou muita popularidade graças a seus posicionamentos fortes e sua vasta bagagem política apesar da jovem idade.

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) lançou à presidência o então governador do Rio de Janeiro, Antony Garotinho, recém-saído do PDT e que havia começado sua trajetória política no PT. Esta foi a primeira vez em treze anos que o PSB não se coligou com o PT e o PCdoB ao redor do nome de Lula.

Ciro e Garotinho tiveram juntos mais de 25 milhões de votos, sendo o principal fator para a não vitória de Lula em primeiro turno.

O petista obteve quase 40 milhões de votos (46,44%), Serra ficou um pouco a frente de Garotinho, com 19 705 445 (23,19%).

No segundo turno, Lula conseguiu o apoio de Ciro e Garotinho, e isso foi primordial, para a vitória acachapante do petista que até hoje, tem a maior vantagem em uma disputa presidencial na história, foram 52 793 364 votos (61,27%), contra 33 370 739 de votos (38,73%).

Após quatro anos turbulentos, onde mesmo com o alto crescimento econômico e social, a popularidade de Lula levou um baque importante com o Mensalão, a reeleição do Presidente estava bem encaminhada, principalmente pelo número expressivo de partidos que apoiavam Lula no Congresso.

O principal partido de oposição continuou sendo o PSDB, que anunciou Geraldo Alckmin, governador do estado de São Paulo que renunciou ao cargo para poder concorrer à presidência, como seu candidato para as eleições de 2006.

César Maia, prefeito da cidade do Rio de Janeiro, que tinha bons números nas pesquisas, desistiu de sua candidatura para apoiar Geraldo Alckmin. Apesar de desentendimentos pontuais quanto a questões estaduais e circunstâncias políticas (tais como as ondas de violência em São Paulo desde maio de 2006), a aliança dos dois foi firmada na chamada “Coligação por um Brasil Decente”, composta apenas por PSDB e PFL.

Lula venceu em dezesseis estados no primeiro turno, predominantemente nas regiões Norte e Nordeste, Geraldo Alckmin venceu em dez estados e no Distrito Federal, predominantemente nas regiões Sul e Centro-Oeste.

No segundo turno o petista conseguiu 58 295 042 votos, que ficou até 2022, como a maior quantidade de votos de um candidato na história, esse número correspondeu a (60,83%), Alckmin atingiu 37 543 178 votos (39,17%).

Os candidatos dos dois maiores grupos políticos foram a ex-ministra-chefe da Casa Civil do governo Lula, Dilma Rousseff, da coligação Para o Brasil seguir mudando, tendo o deputado Michel Temer como candidato a vice-presidente, e o ex-governador de São Paulo, José Serra, da coligação O Brasil pode mais, tendo o deputado Índio da Costa como candidato a vice.

Marina Silva, ex-ministra do meio ambiente de Lula, era a candidata que ocupou o espaço da terceira via. No final de 2009, ela trocou o PT, partido que integrava desde sua fundação, para se juntar ao Partido Verde (PV).

Dilma Rousseff teve 47 651 434 (46,91%), a ex-Ministra venceu em dezoito estados, predominantemente nas regiões Norte e Nordeste, José Serra conseguiu 33 132 283 de votos, (32,61%), foi vitorioso em oito estados e Marina Silva que teve uma votação surpreendente expressiva, alcançou 19 636 359 votos (19,33%), venceu no Distrito Federal.

Mesmo com todas as ressalvas, Marina apoiou Dilma no segundo turno, o que ajudou bastante o crescimento da petista entre os evangélicos, o que contribuiu para a vitória de Dilma com 55 752 529 votos (56,05%), Serra alcançou 43 711 388 votos (43,95%).

A primeira eleição com o clima bélico de polarização, que predomina no país desde então, acaba de completar 12 anos. A reeleição de Dilma foi a eleição mais acirrada desde a redemocratização até 2022, opondo um projeto que já tina 12 anos de poder, e um forte movimento de descontentamento da direita contra o petismo, que começou a partir das manifestações de 2013.

Até junho de 2013, Dilma tinha uma popularidade maior que a de Lula, eram incríveis 79% de aprovação. No final do mês uma manifestação pela diminuição dos preços da passagem de ônibus em São Paulo, desencadearam as maiores manifestações no país, desde as Diretas Já.

Outro problema para a Presidente, foi o surgimento da Lava-Jato. Iniciada em Março de 2014, a operação tinha no seu começo, o propósito de investigar um esquema de corrupção sistêmico na Petrobrás.

Em 13 de agosto de 2014, o candidato e ex-Governador de Pernambuco, Eduardo Campos, embarcou em um avião que saiu do Rio de Janeiro em direção ao município de Guarujá para cumprir agenda de campanha.

Por volta das 10h, o avião, após arremeter devido ao mau tempo, caiu em cima de um quintal em Santos, no bairro do Boqueirão, matando os sete ocupantes e ferindo 6 pessoas em solo. A morte de Eduardo Campos fez com que todo o rumo das eleições fosse alterado.

A coligação “Unidos pelo Brasil” decidiu aguardar as cerimônias fúnebres e o enterro das vítimas para discutir se Marina Silva que era a vice de Eduardo, assumiria a cabeça de chapa ou se então um novo nome seria divulgado.

Entretanto, já no terceiro dia foi dito como certo a escolha de Marina. Na primeira pesquisa de intenções de votos após a morte de Eduardo, realizada pelo Datafolha durante os dias 14 e 15 de agosto, Marina obteve cerca de 21% dos votos e acirrou ainda mais a disputa.

A campanha de Marina acabou derretendo após fortes críticas direcionadas ao seu plano de governo, o que foi primordial para a campanha de Aécio, que tinha um discurso anti-petista muito forte, angariando votos da nova direita brasileira.

No primeiro turno, realizado no dia 5 de outubro, Dilma Rousseff ficou na primeira posição, com 41,59% dos votos válidos, enquanto Aécio Neves atingiu 33,55% e Marina Silva atingiu 21,32%.

No segundo turno, mesmo com o apoio de Marina para a campanha de Aécio, Dilma foi reeleita para o cargo, após acumular mais de 54 milhões de votos, correspondendo a 51,64% dos votos válidos. Aécio ficou na segunda colocação, com pouco mais de 51 milhões de votos, correspondendo a 48,36% dos votos válidos.

Dilma iniciou seu segundo mandato em janeiro de 2015 enfraquecida em meio a grave crise econômica e política. A crise econômica levou o governo a tomar medidas impopulares, incluindo cortes bilionários no orçamento e aumento de impostos.

Em paralelo, revelações da operação Lava Jato acentuaram-se e implicaram diversos políticos governistas. Com a impopularidade de Dilma, manifestações antigovernamentais mobilizaram milhões de pessoas que demandavam a saída da presidente.

Em agosto de 2016, o Senado determinou por 61 a 20 o impeachment da presidente com a alegação de que teria violado leis orçamentárias.

Seu vice, Michel Temer, tomou posse mas não conseguiu estancar a crise. Temer formou uma ampla base aliada no Congresso e conseguiu aprovar algumas das medidas que considerava essenciais, incluindo o Novo Regime Fiscal e uma Reforma Trabalhista.

Em 2017, Temer foi denunciado duas vezes pela Procuradoria-Geral da República por suspeita de corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa, sendo o primeiro Presidente da República alvo de uma denúncia criminal durante o exercício de seu mandato. Com um índice de rejeição superior a 80%, Temer acabou desistindo de se candidatar.

O PT oficializou a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, Lula encontrava-se preso por corrupção e lavagem de dinheiro, em decorrência da Lava-Jato e portanto teve a candidatura indeferida pelo TSE em virtude de sua condenação em segunda instância. Fernando Haddad assumiu a condição de candidato a presidente em seu lugar.

Deputado Federal por mais de 30 anos, e que nunca tinha tido muito destaque, Jair Bolsonaro, começou a aparecer na mídia criticando as pautas de esquerda, com pesadas declarações contra os homossexuais e as mulheres.

Famoso na internet, por ser um ávido crítico petista, Bolsonaro começou a ter um culto de seguidores, que o acompanha em todos os estados, mesmo antes da Campanha começar de fato. Candidato pelo PSL, um partido pequeno e que não tinha muita expressão na Câmara, Bolsonaro ganhou terreno com um discurso que se dizia a favor da família, contra bandidos e contra a corrupção sistêmica do PT.

Adorado por uma nova extrema-direita, Bolsonaro conseguiu trazer vários nomes para o seu partido que se identificavam com o seu estilo e conseguiu elevar o PSL para um dos maiores partidos do país. Em setembro de 2018. durante um ato de campanha em Minas Gerais, o candidato foi esfaqueado por Adélio Bispo, que agiu por conta própria ao não concordar com as falas do candidato.

Com Lula fora do páreo e a comoção do atentado, Bolsonaro começou a tomar a dianteira nas pesquisas e venceu no primeiro turno com 49 276 990 votos (46,03%), Haddad teve 31 342 051 votos (29,28%) e Ciro Gomes conseguiu 13 344 371 votos (12,47%).

Mesmo sem participar dos debates no segundo turno, Bolsonaro conseguiu venceu a eleição apoiado pelo apoio de muitos Governadores, entre eles o do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais, obtendo 57 797 847 dos votos (55,13%), contra 47 040 906 votos (44,87%) do petista.

A eleição de 2022 entrou para a história política brasileira como uma das disputas mais acirradas desde a redemocratização.

De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que buscava retornar à Presidência da República e do outro, Jair Bolsonaro (PL), que tentava a reeleição depois de quatro anos tumultuados à frente do Palácio do Planalto.

O confronto ultrapassou os limites de uma disputa partidária e consolidou uma divisão política que já vinha se intensificando no país desde as eleições de 2014.

A gestão da pandemia de Covid-19 foi um dos principais pontos de confronto entre os candidatos. A condução da crise sanitária pelo governo Bolsonaro, as declarações do presidente sobre a doença, a vacinação e as medidas de enfrentamento ganharam espaço na campanha e foram exploradas por Lula nos debates e no horário eleitoral.

Para derrotar Bolsonaro, Lula escolheu Geraldo Alckmin, antigo adversário do PSDB, para compor sua chapa como vice-presidente.

A aliança buscava ampliar o diálogo com setores de centro e atrair eleitores que não se identificavam necessariamente com o PT, mas desejavam derrotar Bolsonaro

As pesquisas apontavam Lula com uma vantagem consolidada e uma chance real de vencer no primeiro turno.

O primeiro turno, em 2 de outubro, terminou com Lula à frente, com 48,43% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro obteve 43,20%. Simone Tebet (MDB) ficou em terceiro lugar, com 4,16%, e Ciro Gomes (PDT) terminou na quarta posição, tendo 3,04%.

A disputa pela vitória no segundo turno foi praticamente uma nova eleição. O resultado foi uma disputa voto a voto, com forte mobilização nos estados e nas principais cidades brasileiras.

Em 30 de outubro, Lula foi eleito com 60.345.999 votos, correspondentes a 50,90% dos votos válidos. Bolsonaro recebeu 58.206.354 votos, ou 49,10%.

A diferença de 2.139.645 votos confirmou a vitória mais apertada de uma eleição presidencial brasileira desde a redemocratização

Fonte: Vitor Azevêdo

Créditos: Polêmica Paraíba

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