Um levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) aponta que, em média, 33 mil internações de crianças menores de dez anos ocorrem anualmente no Brasil devido a quedas. Isso representa aproximadamente 2.750 internações mensais. Nos últimos dez anos, de 2016 a 2025, foram registradas 330.788 hospitalizações por esse motivo.
Os dados do primeiro semestre de 2026 seguem a tendência histórica, com 14.997 internações, o que equivale a cerca de 2.500 ocorrências mensais. A maioria das admissões se concentra nas regiões Sudeste e Nordeste do país.
Adriana Rocha Brito, presidente do Departamento Científico de Segurança da SBP, ressalta que os números podem ser subestimados, já que muitos casos leves não resultam em atendimento médico. Além disso, o estudo não inclui dados de hospitais privados.
Entre as internações registradas, 153.118 (46,3%) não foram categorizadas. Das quedas especificadas, 50.115 ocorreram em superfícies planas, enquanto 45.323 foram causadas por escorregões ou tropeços.
A faixa etária de cinco a nove anos concentra 58,6% das internações, refletindo o aumento da atividade física das crianças. Já 33,3% das internações ocorreram com crianças de um a quatro anos, e menos de 1% com bebês menores de um ano.
A pediatra destaca que os traumatismos são uma das principais causas de internação. Crianças até dois anos têm maior risco de quedas de móveis, enquanto aquelas de dois a seis anos enfrentam riscos em janelas e equipamentos de recreação.
Adriana enfatiza que mais de 90% dos acidentes podem ser prevenidos com medidas simples. A supervisão adequada e a manutenção de ambientes seguros são fundamentais para evitar quedas.
Qualquer queda que resulte em traumatismo ou ferimento significativo deve ser avaliada por um médico. A especialista alerta para a gravidade do problema, citando que, nos últimos dez anos, o Brasil registrou 1.202 óbitos por quedas entre crianças.
Orientações de prevenção por faixa etária
- Menores de um ano: Nunca deixar o bebê sozinho em locais altos.
- De um a quatro anos: Colocar telas em janelas e evitar brinquedos em locais perigosos.
- De cinco a nove anos: Usar equipamentos de segurança ao brincar e supervisionar atividades.
Além disso, especialistas desaconselham o uso de andadores, que podem aumentar o risco de acidentes graves.
Fonte: Noticiasaominuto