Uma mulher que passou anos sofrendo com vômitos intensos, queda de cabelo e sucessivas internações descobriu que estava sendo envenenada por um colega de trabalho nos Estados Unidos. O responsável era o engenheiro David Xu, que chegou a demonstrar preocupação com a saúde da vítima enquanto colocava uma substância tóxica em sua água.
O caso aconteceu na Califórnia e voltou a ganhar repercussão após a divulgação de imagens de uma câmera escondida que registraram o momento em que Xu contaminava a garrafa de Rong Yuan, atualmente com 50 anos.
exames realizados posteriormente identificaram concentrações de cádmio, um metal pesado altamente tóxico, cerca de 3,5 milhões de vezes superiores ao limite federal de segurança na água analisada.
Apesar da gravidade do caso, o engenheiro, hoje com 41 anos, recebeu uma pena de dois anos de liberdade condicional e teve apenas um dia de prisão contabilizado na sentença. Agora, sete anos depois de sua detenção, ele tenta conseguir a retirada da condenação de seu registro criminal, nos termos previstos pela legislação da Califórnia.
Mulher passou anos sem descobrir a causa dos sintomas
Os problemas começaram em 2017, pouco depois de Rong Yuan ingressar na Berkeley Engineering and Research, empresa de engenharia forense localizada na Califórnia.
Nas semanas seguintes, ela começou a apresentar sintomas preocupantes, incluindo queda de cabelo, náuseas e episódios violentos de vômito.
O estado de saúde da engenheira piorou progressivamente, levando-a a procurar atendimento médico diversas vezes. Sem encontrar uma explicação para os sintomas, ela chegou a viajar para a China em busca de tratamento, temendo estar com câncer de estômago.
A situação ficou tão grave que seus pais viajaram da China para os Estados Unidos para cuidar dela.
Enquanto isso, David Xu aparentava preocupação com o estado de saúde da colega.
Em novembro de 2018, depois que Yuan informou por e-mail que não conseguiria trabalhar por causa dos vômitos, Xu sugeriu que ela permanecesse em casa até melhorar.
Ele também levantou a hipótese de que o ambiente de trabalho estivesse contaminado por mofo, o que poderia explicar os problemas de saúde.
Câmera escondida revelou o envenenamento
A suspeita de que algo estava errado surgiu em janeiro de 2019, quando a mãe de Yuan percebeu um gosto azedo ao beber água da garrafa da filha.
Desconfiada de que alguém pudesse estar adulterando suas bebidas, a engenheira comprou uma câmera escondida pela internet e a instalou próximo à sua mesa de trabalho.
Em 11 de fevereiro, o equipamento registrou Xu se aproximando da estação de trabalho de Yuan e movimentando-se perto do local onde ficava a garrafa, que estava fora do enquadramento.
Uma segunda gravação, feita em 4 de março, mostrou o engenheiro despejando uma substância de um pequeno recipiente branco diretamente na garrafa.
Cerca de 30 segundos depois, ele retornou e movimentou a garrafa para misturar o conteúdo.
No mesmo dia, Yuan entregou as imagens à polícia.
A sargento Jennifer Wilson, da polícia de Berkeley, afirmou que as gravações foram fundamentais para comprovar o que estava acontecendo.
Segundo a policial, dificilmente alguém acreditaria na denúncia sem as imagens.
Pais da vítima também foram contaminados
A investigação revelou que a água consumida por Yuan continha níveis extremamente elevados de cádmio, metal pesado que pode provocar danos graves à saúde.
Exames também detectaram a presença da substância no sangue dos pais da engenheira.
Isso aconteceu porque a mãe da vítima havia utilizado a água contaminada para preparar refeições da família, expondo outras pessoas ao produto tóxico.
Ao comentar o que viveu, Yuan relatou ao San Francisco Standard que sentiu como se seu sangue tivesse congelado ao descobrir a verdade.
Eu quase morri. Estive tão, tão perto da morte muitas vezes. Não posso simplesmente deixá-lo ir — declarou.
Engenheiro foi acusado de tentativa de homicídio
David Xu foi preso em março de 2019 e inicialmente acusado de tentativa de homicídio premeditado e de dois crimes de envenenamento.
As acusações poderiam resultar em uma pena muito mais severa.
Entretanto, em setembro de 2023, a Promotoria do Condado de Alameda ofereceu um acordo que retirou a acusação de tentativa de homicídio.
Xu aceitou não contestar uma acusação criminal de envenenamento, procedimento que permite a condenação sem uma admissão formal dos fatos.
Em março de 2024, a juíza Kimberly Colwell considerou o acordo extremamente generoso diante das circunstâncias do caso.
Ela ampliou de um para dois anos o período de liberdade condicional inicialmente proposto.
Durante a sentença, a magistrada também advertiu Xu para que nunca mais tivesse contato com qualquer tipo de veneno.
Vítima teme que condenação desapareça de consultas de antecedentes
Rong Yuan solicitou uma indenização de quase US$ 500 mil pelos danos sofridos, mas recebeu apenas US$ 7.058, após a Justiça considerar um relatório de um toxicologista apresentado pela defesa, que contestava os efeitos de longo prazo da exposição ao cádmio.
A engenheira afirma que continua enfrentando problemas de saúde incapacitantes e que não consegue trabalhar em período integral.
Xu concluiu o período de liberdade condicional em março de 2026 e agora busca obter a retirada da condenação de seu registro criminal, conforme mecanismo previsto na legislação estadual.
Embora o registro continue acessível às autoridades policiais, Yuan teme que a condenação deixe de aparecer em verificações de antecedentes realizadas por futuros empregadores.
A Promotoria se opõe ao pedido apresentado pelo engenheiro.
Para a vítima, a possibilidade de Xu conseguir esse benefício representa mais uma frustração após anos de sofrimento.
Esse sistema de Justiça já falhou comigo. Este é meu último recurso — afirmou.
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Fonte: Noticiasaominuto