A temporada 2026 do Botafogo-PB chegou ao fim neste sábado (10), com a última rodada do quadrangular de acesso da Série C do Campeonato Brasileiro. Diante de seu torcedor, no Estádio Almeidão, o Belo encerrou a campanha com um saldo negativo na Terceirona, mas terminou o ano com, pelo menos, o título do Campeonato Paraibano, encerrando um jejum de seis anos sem conquistar o estadual.
Luiz Daniel é dispensado do Botafogo-PB, e Yan Souto tem férias antecipadas
Tabela da Série C do Campeonato Brasileiro
O primeiro ano completo da SAF (o início)
A temporada 2026 marcou o primeiro ano completo da SAF à frente do Botafogo-PB. Com um calendário que incluía Campeonato Paraibano, Copa do Brasil, Copa do Nordeste e Série C do Campeonato Brasileiro, a expectativa era de que o clube conseguisse transformar o novo momento administrativo em resultados dentro de campo.
O primeiro compromisso oficial aconteceu em janeiro, pelo estadual. Antes mesmo de a bola rolar, porém, o Belo precisou lidar com uma questão que já provocava preocupação: as condições do gramado do Estádio Almeidão, em João Pessoa.
Durante a pré-temporada, a situação do campo virou motivo de impasse. O Botafogo-PB se recusou a jogar em casa diante das condições do gramado, enquanto a Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer (Sejel) sustentava que o estádio estaria preparado para receber a partida. No fim, a equipe iniciou a campanha longe de seus domínios, no Estádio Frasqueirão, em Natal.
Naquele momento, o time era comandado pelo técnico Bernardo Franco, que teria pela frente a missão de conduzir o elenco nas primeiras disputas do ano.
Goleada no Clássico Emoção e primeira mudança
Um dos momentos mais marcantes — e negativos — da campanha estadual aconteceu na quinta rodada, no Clássico Emoção contra o Campinense. Depois de golear o Pombal por 4 a 0, o Botafogo-PB chegou ao confronto com a expectativa de manter o embalo, mas acabou derrotado por 4 a 1, em Campina Grande.
O resultado ampliou a pressão sobre o trabalho de Bernardo Franco e marcou o fim de sua passagem pelo clube. Além do treinador, o executivo de futebol Rodrigo Pastana também deixou o Belo.
Botafogo-PB oficializa as saídas de Bernardo Franco e Rodrigo Pastana
A mudança abriu caminho para uma nova aposta da diretoria, justamente em um momento decisivo do Campeonato Paraibano.
Era Lisca: recuperação e fim do jejum estadual
Em fevereiro, o Botafogo-PB oficializou Lisca como substituto de Bernardo Franco. O treinador retornava ao mercado após mais de um ano sem comandar uma equipe e chegava com a missão de reorganizar o time e conduzi-lo à disputa pelo título paraibano.
O início do trabalho criou uma relação positiva entre treinador, elenco e torcida. Com a equipe recuperada na competição, o Belo avançou até a decisão e enfrentou o Sousa, adversário que já havia levado a melhor sobre o clube pessoense nas duas finais estaduais anteriores.
Botafogo-PB campeão paraibano 2026 com Lisca (Foto: João Neto / Botafogo-PB)
Botafogo-PB x Fluminense-PI pela Copa do Nordeste (Foto: João Neto / Botafogo-PB)
Elenco do primeiro jogo da final do Paraibano 2026, entre Sousa e Botafogo-PB, no Marizão (Foto: João Neto / Botafogo-PB)
Dessa vez, porém, a história foi diferente. O Botafogo-PB conquistou o Campeonato Paraibano de 2026 e encerrou um jejum de seis anos sem levantar o troféu. A conquista representou o primeiro grande resultado esportivo da temporada. Empolgado com o momento, o treinador também demonstrou identificação com o estado e chegou a declarar que “a Paraíba é o melhor lugar do mundo”.
O clima de celebração, entretanto, não duraria até o fim do calendário. Com outras três competições, o Botafogo-PB ainda precisava provar que conseguiria manter o bom desempenho para além do estadual.
Adeus precoce à Copa do Brasil e eliminação no Nordestão
A primeira frustração veio na Copa do Brasil. No dia 25 de fevereiro, o Botafogo-PB enfrentou o Mixto-MT, no Estádio Eurico Gaspar Dutra, o Dutrinha, em Cuiabá, pela segunda fase da competição. A classificação foi decidida nos pênaltis, e o Belo acabou eliminado.
Com o fim da participação no torneio nacional, restavam a Copa do Nordeste e a Série C do Campeonato Brasileiro. No regional, o desempenho da equipe ficou abaixo do esperado.
O Botafogo-PB chegou à última rodada da fase de grupos dependendo apenas de si para buscar a classificação, mas não conseguiu transformar essa possibilidade em vaga na etapa seguinte. A campanha terminou com seis pontos, somados em uma vitória, três empates e uma derrota, o equivalente a 40% de aproveitamento.
Apesar da eliminação, o Belo apresentou momentos de competitividade. A vitória por 2 a 1 sobre o Vitória, fora de casa, e o empate por 3 a 3 com o Itabaiana foram exemplos de que a equipe conseguia enfrentar adversários difíceis e buscar resultados longe de João Pessoa.
Por outro lado, os pontos desperdiçados pesaram. Os empates por 2 a 2 com o ASA e por 1 a 1 com o Fluminense-PI, ambos no Almeidão, além da derrota para o Sousa, fora de casa, contribuíram para a eliminação ainda na fase de grupos.
A despedida do Nordestão encerrou mais uma possibilidade de título e aumentou a pressão sobre o clube. E os problemas que começavam a aparecer nos bastidores logo ganhariam proporções maiores.
A crise nos bastidores e a saída de Lisca
Pouco tempo depois da conquista estadual, os problemas internos do Botafogo-PB passaram a ganhar repercussão. A saída do então coordenador de futebol Ruy Bueno trouxe à tona um ambiente de desgaste nos bastidores.
Após deixar o cargo, o profissional divulgou um comunicado e concedeu entrevistas nas quais fez críticas à condução do futebol alvinegro. Sem explicitar todos os envolvidos, deu a entender que o espaço concedido pela SAF ao técnico Lisca estaria contribuindo para os conflitos internos.
Ruy Cabeção deixa o Botafogo-PB e revela: ‘Não compactuo com determinadas condutas’
O episódio aumentou as dúvidas sobre a estabilidade do departamento de futebol. Em campo, a situação também começava a se complicar na Série C. Depois de resultados negativos contra Figueirense e Floresta, o Botafogo-PB chegou ao compromisso seguinte pressionado e já sem Lisca, demitido no fim de abril, menos de três meses após sua chegada.
Botafogo-PB oficializa saída de Lisca, que deixa clube com 52,9% de aproveitamento e um título
O treinador deixou o clube com 52,9% de aproveitamento, em uma campanha de sete vitórias, seis empates e quatro derrotas. Apesar do título paraibano, o trabalho terminou antes da conclusão do primeiro turno da Terceirona.
Marcelo Fernandes e a reação na Série C
Com a saída de Lisca, o Botafogo-PB apostou no técnico paulista Marcelo Fernandes. A missão era clara: recuperar o desempenho da equipe na Série C, afastar o risco de rebaixamento e recolocar o clube na disputa pelo acesso.
A estreia, no entanto, foi frustrante. Diante do Paysandu, na Curuzu, em Belém, o Belo perdeu por 4 a 2, de virada. O resultado representou a terceira derrota consecutiva na competição e fez o time cair quatro posições na tabela, chegando à 11ª colocação.
A sequência negativa não parou por ali. O Botafogo-PB ainda acumulou outras derrotas e viu a preocupação com a parte de baixo da classificação aumentar.
A reação começou a ganhar forma a partir da 9ª rodada, quando o time enfrentou o Maringá. Aos poucos, o cenário mudou: o Belo deixou a briga contra o rebaixamento para trás, passou a subir na tabela e chegou à liderança da competição.
Marcelo Fernandes comandou a recuperação do Botafogo-PB na Série C (Foto: João Neto/Botafogo-PB)
Botafogo-PB e Maringá no estádio Almeidão, pela 1ª fase da Série C (Foto: @messiasphoto)
Botafogo-PB e Guarani pela 18ª rodada da Série C 2026 (Foto: João Neto / Botafogo-PB)
Sob o comando de Marcelo Fernandes, a equipe construiu uma sequência de 11 partidas de invencibilidade, recuperando a confiança do torcedor e garantindo a classificação para o quadrangular decisivo.
Botafogo-PB chega à briga pelo acesso pela sexta vez na Série C e tenta quebrar tabu
A campanha transformou a perspectiva da temporada. Depois de um início turbulento, o Botafogo-PB voltou a sonhar com o acesso à Série B. A classificação também marcou a sexta vez que o clube chegou à fase decisiva da Série C desde que passou a disputar a competição, em 2014. Antes de 2026, o Belo havia brigado pelo acesso em 2016, 2018, 2021, 2023 e 2024, sem conseguir concluir o objetivo.
O acesso escapou mais uma vez
O bom desempenho na primeira fase aumentou a expectativa para o quadrangular final. Integrante do Grupo B, ao lado de Santa Cruz-PE, Floresta e Maringá, o Botafogo-PB precisava terminar entre os dois primeiros colocados para conquistar o acesso.
A estreia aconteceu fora de casa, contra o Santa Cruz-PE, na Arena de Pernambuco. A derrota por 1 a 0 encerrou a sequência de 11 partidas sem perder e acendeu o primeiro alerta.
Na rodada seguinte, o Belo voltou a ser derrotado, dessa vez pelo Floresta. Depois, perdeu para o Maringá e chegou ao início do returno sem pontoar no quadrangular.
O empate sem gols com o Maringá, no Almeidão, pela quarta rodada, deixou a equipe em situação delicada. O acesso dependeria de uma combinação de resultados e de uma reação imediata do time.
O cenário era ainda mais preocupante porque, depois de quatro partidas, o Botafogo-PB ainda não havia marcado gols na fase decisiva. A equipe só conseguiu balançar as redes na 5ª rodada, diante do Floresta, em Fortaleza.
O empate por 1 a 1, porém, não foi suficiente para manter vivo o sonho do acesso. Com o resultado, o Belo perdeu as chances de alcançar uma das vagas na Série B e passou a cumprir tabela na rodada final.
A campanha terminou de maneira muito diferente daquela que havia sido construída na primeira fase. O time que chegou ao quadrangular embalado por uma longa invencibilidade não conseguiu repetir o desempenho justamente nos jogos que poderiam definir o futuro do clube.
O adeus a Marcelo Fernandes e Henrique Dourado
A eliminação antecipada também provocou mudanças no elenco e na comissão técnica. Logo após o empate com o Maringá, pela quarta rodada do quadrangular, o Botafogo-PB anunciou o desligamento de Marcelo Fernandes, do auxiliar técnico Marcelo Copertino e do diretor executivo de futebol Fernando Leite. A saída do treinador ocorreu em meio à sequência negativa e à perda das chances de acesso. A equipe voltaria a encerrar uma temporada da Série C sem alcançar o principal objetivo esportivo.
Botafogo-PB demite Marcelo Fernandes em meio à má fase no quadrangular da Série C
O comando do Belo para os dois últimos jogos ficou por conta do interino Victor Ferraz.
Henrique Dourado marcou de pênalti o terceiro gol do Botafogo-PB diante do Remo em 2024 (Foto: Cristiano Santos/Botafogo-PB)
Henrique Dourado marcou o gol da vitória do Botafogo-PB diante do Retrô em 2025 (Foto: João Neto/Botafogo-PB)
Henrique Dourado e Nenê pelo Botafogo-PB em 2025 (Foto: João Neto / Botafogo-PB)
Outra saída importante foi a do centroavante Henrique Dourado. Clube e jogador anteciparam o encerramento do contrato, colocando fim a uma passagem de dois anos do atacante pelo Belo. Dourado deixou o Botafogo-PB com 66 partidas disputadas, 14 gols marcados e sete assistências. Na Série C de 2026, porém, não conseguiu balançar as redes nos 18 jogos em que participou. Seu último gol havia sido marcado em 26 de abril, contra o Fluminense-PI, pela Copa do Nordeste.
A saída também aconteceu após um episódio de desgaste com a torcida. No empate sem gols contra o Maringá, no Almeidão, o atacante foi atingido na cabeça por uma garrafa arremessada da arquibancada. Na sequência, reagiu com gestos obscenos em direção aos torcedores. O episódio aumentou a tensão em torno do jogador em um momento no qual o time já enfrentava forte pressão pelos resultados.
Nenê: da chegada à Paraíba à busca pelo gol 300
Entre os destaques individuais do Botafogo-PB em 2026, Nenê foi um dos nomes mais importantes da temporada. Aos 45 anos, o meia chegou ao clube cercado pela expectativa gerada por sua trajetória no futebol brasileiro e europeu, com passagens por equipes como Vasco, Fluminense, Santos e Paris Saint-Germain.
A contratação representava uma aposta na experiência e na capacidade técnica do jogador para liderar o elenco em uma temporada de calendário cheio. E, dentro de campo, Nenê correspondeu às expectativas, tornando-se uma das principais referências ofensivas da equipe.
O camisa 10 teve participação importante na conquista do Campeonato Paraibano e também se destacou na Série C. Com gols e assistências, ajudou o Botafogo-PB a reagir na competição nacional e a garantir a classificação para o quadrangular do acesso.
Nenê chega à Paraíba para a temporada 2026 como Botafogo-PB (Foto: João Neto / Botafogo-PB)
Nenê, meia do Botafogo-PB, é artilheiro do clube em 2026 (Foto: João Neto/Boafogo-PB)
Aos 45 anos, Nenê é o líder em assistências do Botafogo-PB na temporada 2026 (Foto: João Neto / Botafogo-PB)
A boa fase ganhou um capítulo especial em agosto, quando Nenê marcou na vitória por 3 a 1 sobre o Guarani. O gol, além de contribuir para a classificação do Belo à fase decisiva, foi o de número 299 da carreira profissional do meia, que se aproximou de uma marca histórica.
A expectativa pelo 300º gol passou a acompanhar o jogador na reta final da temporada.
Destaque do Botafogo-PB, Nenê está a um gol da marca dos 300 na carreira
O feito individual, entretanto, acabou não acontecendo (….). Na reta decisiva da Série C, o Belo não conseguiu manter o desempenho da primeira fase, e o meio também não conseguiu alcançar nenhum tento no quadrangular. (ATUALIZAR COM O RESULTADO DE SÁBADO).
Nenê encerrou a temporada como um dos destaques do elenco, com dez gols e seis assistências em 32 partidas.
O primeiro ano completo da SAF termina sob pressão
Se o título paraibano representou o ponto alto da temporada, o encerramento da Série C evidenciou problemas que vão além dos resultados dentro de campo.
Botafogo-PB vive crise nos bastidores
Mesmo na reta final da temporada, os bastidores do Botafogo-PB voltaram a ganhar destaque. Na semana anterior ao último jogo da temporada, o elenco protestou contra atrasos no pagamento de direitos de imagem referentes aos meses anteriores. Em meio à insatisfação, os jogadores deixaram de participar de um dos treinamentos como forma de reivindicação.
O CEO do clube, Fillipe Félix, se pronunciou sobre a situação e afirmou que os pagamentos seriam regularizados. O Arena Correio confirmou, durante a semana, que os valores já haviam começado a ser pagos, com previsão de conclusão até a sexta-feira (9).
Ao mesmo tempo, a SAF seguiu em busca de novos investidores. Recentemente, Fillipe Félix informou que estudava perfis de interessados no Rio de Janeiro e em São Paulo e que havia iniciado conversas com quatro possíveis investidores: três ligados a fundos de investimento e um grupo de pessoas reunidas em um consórcio.
Fillipe Félix negocia com quatro investidores para SAF do Botafogo-PB e deve anunciar parceiros este mês
O primeiro ano completo da SAF termina, portanto, com um balanço de contrastes. O Botafogo-PB voltou a conquistar o Campeonato Paraibano, recuperou-se de um início preocupante na Série C e chegou a alimentar a esperança de chegar à Série B. Mas a queda de rendimento no quadrangular, as mudanças no departamento de futebol e os problemas financeiros deixaram marcas na temporada.
Receba todas as notícias do Arena Correio no Whatsapp
Fonte: Arenacorreio