O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, declarou que a possibilidade de o Reino Unido retornar à União Europeia está entre as alternativas que o governo considera para redefinir sua relação com o bloco europeu. A afirmação foi feita durante o congresso anual do Partido Trabalhista, em Liverpool.
Burnham planeja apresentar diferentes opções para o futuro vínculo entre Londres e Bruxelas em uma cúpula marcada para novembro. Ao ser questionado sobre as alternativas, ele mencionou a manutenção da situação atual, a permanência fora da União Europeia, a adesão a uma união aduaneira, o retorno ao mercado único ou até mesmo a readesão ao bloco.
Existem, claramente, opções a considerar e temos de analisar o que é viável, assim como as vantagens e desvantagens de cada uma delas — afirmou Burnham, sem indicar uma preferência específica entre as opções.
O premiê, que foi um defensor da permanência do Reino Unido na União Europeia durante o referendo de 2016, criticou o Brexit, afirmando que a saída do bloco trouxe mais prejuízos do que benefícios, especialmente do ponto de vista econômico.
Essa posição reflete uma mudança significativa na abordagem do governo britânico desde que os trabalhistas assumiram o poder em 2024, defendendo uma reaproximação com Bruxelas, mas mantendo três linhas vermelhas: não retornar ao mercado único, à união aduaneira nem à livre circulação de pessoas.
Burnham, que assumiu o cargo em julho, já havia manifestado anteriormente o desejo de ver o Reino Unido retornar à União Europeia. Agora, essa possibilidade é considerada oficialmente entre as alternativas a serem analisadas.
Ele enfatizou que qualquer mudança deve levar em conta a viabilidade política, econômica e jurídica, além das vantagens e desvantagens de cada modelo de relacionamento com a União Europeia.
A próxima cúpula entre o Reino Unido e a União Europeia será crucial para discutir o futuro das relações. Inicialmente prevista para julho, a reunião foi adiada após a mudança de liderança no governo britânico.
Um dos temas centrais das negociações será a política "Made in Europe", que prioriza empresas e produtos europeus em setores estratégicos. O Reino Unido busca garantir que suas empresas tenham tratamento semelhante ao das companhias da União Europeia.
As declarações de Burnham podem reabrir um debate que divide a política britânica desde o referendo de 2016, quando o país decidiu deixar a União Europeia. O primeiro-ministro acredita que é hora de reavaliar qual modelo de relação com Bruxelas melhor atende aos interesses britânicos.
Apesar de suas declarações, Burnham ainda não apresentou uma proposta formal para iniciar um processo de readesão à União Europeia, defendendo que qualquer nova estratégia deve ser construída a partir de um consenso mais amplo.
Fonte: Noticiasaominuto