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Ministro da Saúde planeja inclusão de canetas emagrecedoras no SUS

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou planos para disponibilizar canetas emagrecedoras no SUS, com custo estimado de R$ 1,5 bilhão por ano, mas detalhes ainda são incertos.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, revelou que o governo Lula pretende oferecer canetas emagrecedoras a 'milhões' de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, o público-alvo, a data de início da oferta e o custo médio dos tratamentos ainda não foram definidos.

Padilha estima que a implementação do programa custará cerca de R$ 1,5 bilhão anualmente. Ele negou que a inclusão das canetas na rede pública seja um movimento oportunista em meio à campanha de reeleição de Lula. 'Não estamos falando de incorporar um milagre estético, mas uma medicação que, combinada com outras ações de alimentação e atividade física, pode ter um impacto positivo', afirmou.

Na última quinta-feira, o ministério solicitou à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) a elaboração de um protocolo de uso dos medicamentos para pacientes com obesidade. A pasta acredita que 25% da população se encaixa nesse perfil, mas ainda não há definição clara sobre quem será beneficiado.

A Conitec já havia rejeitado a inclusão das canetas no SUS em três ocasiões anteriores. Em agosto de 2025, a comissão negou um pedido da Novo Nordisk, fabricante de Ozempic e Wegovy, alegando que a oferta custaria R$ 6,8 bilhões em cinco anos e atenderia apenas algumas dezenas de milhares de pacientes.

Padilha acredita que, com a escala de compras do SUS e a produção local, é possível reduzir os preços em até 90%. 'Com algo em torno de R$ 1,5 bilhão ao ano, conseguimos trazer esses produtos e incorporá-los no SUS', disse.

O ministro também destacou a intenção de aumentar a produção por meio de laboratórios públicos, que poderão estabelecer parcerias com empresas farmacêuticas. 'O Brasil quer ser soberano na produção, para evitar problemas de abastecimento', afirmou.

A expectativa de descontos nas compras públicas se deve à entrada de mais de dez canetas contendo semaglutida no mercado em 2026. Contudo, o custo dos tratamentos ainda é uma preocupação. Se o preço for de R$ 1.000 por ano, o orçamento permitiria atender 1,5 milhão de pacientes, mas a Conitec já havia estimado que o custo poderia ultrapassar R$ 12 mil por paciente anualmente.

A Novo Nordisk apresentou uma nova proposta à Conitec, visando um público mais restrito: pacientes com obesidade que já sofreram infarto, estimando um custo entre R$ 500 milhões e R$ 650 milhões por ano. Padilha acredita que a proposta do governo pode ser mais abrangente, beneficiando pacientes da atenção primária.

Além do preço, a Conitec também apontou a falta de políticas intersetoriais na rede pública, como suporte psicológico e acompanhamento físico. Padilha afirmou que a situação mudou, com a OMS recomendando as canetas como parte das políticas de combate à obesidade.

As canetas emagrecedoras são agonistas de GLP-1, hormônios que ajudam a controlar a glicose e a saciedade, e são indicadas para diabetes e obesidade. As principais marcas incluem semaglutida e tirzepatida, além de versões anteriores como a liraglutida.

Há uma pressão crescente de consumidores, da indústria e do setor político para ampliar a oferta e reduzir os custos dos medicamentos. No entanto, o uso estético e a popularização de versões manipuladas levantam preocupações entre associações médicas.

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