Johann Wadephul, ministro das Relações Exteriores da Alemanha, fez um apelo contundente por controle da inteligência artificial durante a Assembleia Geral da ONU. Ele iniciou seu discurso com uma analogia inquietante, questionando o que aconteceria se armas nucleares fossem desenvolvidas por empresas privadas.
Wadephul destacou que apenas dois países detêm a maior parte das patentes de tecnologia, o que resulta em uma concentração de influência nas mãos de poucos. Ele enfatizou que a revolução tecnológica ocorre em um contexto desafiador para a ONU, onde potências acreditam que podem ignorar as normas estabelecidas pela Carta das Nações Unidas.
O chanceler alertou que a maioria dos 193 países presentes na Assembleia Geral enfrentará consequências se o respeito pelo direito internacional for comprometido, fazendo uma referência implícita ao governo de Donald Trump, sem mencioná-lo diretamente.
Wadephul também reiterou a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da ONU, um desejo compartilhado por várias nações, incluindo o Brasil. Ele afirmou que as instituições precisam se adaptar à inteligência artificial, e não o contrário, e pediu que os países-membros trabalhassem juntos para estabelecer requisitos de segurança para modelos avançados.
Além disso, o chanceler expressou a preocupação da Alemanha com crises em locais como Haiti, Sudão e Ucrânia, onde a Alemanha se posiciona como a maior apoiadora na defesa contra a agressão russa.
Antes de seu discurso, Wadephul teve um breve encontro com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, que durou apenas 20 minutos. Este foi o primeiro encontro ministerial entre os dois países desde a invasão da Ucrânia. Durante a reunião, Wadephul teria solicitado à Rússia que abandonasse a escalada contra a Alemanha e a Europa.
O encontro também abordou o incidente de um drone com explosivos encontrado em Leipzig, que Berlim atribui aos serviços de inteligência russos.
Inicialmente, a Alemanha planejava que o primeiro-ministro, Friedrich Merz, fizesse o discurso em Nova York, mas ele cancelou sua participação devido a uma crise de popularidade e derrotas eleitorais recentes.
Fonte: Noticiasaominuto